O governador Romeu Zema esteve em Ipatinga nesta quarta-feira (11) para inaugurar as obras de reforma e ampliação da Escola Estadual Wilson Alvarenga, no bairro Canaãzinho. O evento, no entanto, também foi marcado por questionamentos sobre a privatização da Copasa. Zema, pela terceira vez consecutiva, não respondeu de forma clara sobre esse assunto.
Inicialmente, o governador celebrou a entrega das obras na escola, um investimento de R$ 2,5 milhões. Ele destacou que a melhoria da infraestrutura escolar oferece mais dignidade e segurança aos alunos. Zema associou diretamente esses investimentos à redução da evasão escolar em Minas Gerais. O estado, segundo ele, possui um dos menores índices do Brasil.
“É uma felicidade muito grande saber que os alunos vão poder frequentar uma escola mais segura e confortável”, afirmou o governador. Ele ainda prometeu a climatização de unidades em regiões mais quentes, como o Vale do Aço, como um “atrativo” adicional para os estudantes.
E a Copasa?
O tom da entrevista mudou quando a repórter Janaína Oliveira, da Rede Educadora, questionou o governador. A pergunta abordou as falhas da Copasa no fornecimento de água no Vale do Aço. A repórter expressou a desconfiança da população de que uma empresa privada, focada no lucro, não seria capaz de resolver o problema.
Zema classificou a situação de Ipatinga como um “caso excepcional”. Ele atribuiu a crise a um “imbróglio” contratual. O contrato de concessão com a Copasa está vencido desde fevereiro de 2022. Essa indefinição, segundo o governador, impede novos investimentos da companhia no município.
Para ilustrar o impasse, Zema usou uma analogia. “Se você aluga uma casa e está sujeito a ser despejado, você não vai reformar essa casa, concorda?”, explicou. Ele afirmou que a situação em Ipatinga é semelhante, gerando uma paralisia de investimentos.
A solução proposta pelo governador
Como solução, o governador propôs a mediação do Ministério Público. O objetivo é resolver o impasse para que a prefeitura possa realizar um novo leilão para a concessão dos serviços. Zema se mostrou neutro sobre o vencedor do futuro certame.
“Se a Copasa vencer, ela vai fazer os investimentos. Se outra empresa vencer, também fará os investimentos”, declarou. A fala busca transmitir uma imagem de governança, enquanto desvia o foco da crítica direta à privatização. A responsabilidade pela solução é, assim, direcionada à prefeitura e ao Ministério Público.
Contudo, o governador não esclareceu sobre a situação em outras cidades da região. Em Timóteo, por exemplo, moradores procuraram nosso Departamento de Jornalismo para denunciar a péssima qualidade da água que sai das torneiras nos bairros Eldorado, Santa Maria e Alegre e a falta constante de água no Ana Moura, Timotinho e Novo Tempo. Zema, pela terceira vez, fugiu dos questionamentos.
Contexto da privatização estadual
A discussão em Ipatinga ocorre em meio ao avanço da privatização da Copasa em nível estadual. A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) já aprovou a lei que autoriza a desestatização da companhia. O governo de Minas trabalha para concluir o processo ainda no primeiro trimestre de 2026.
A privatização é uma das principais bandeiras de Zema. Ele argumenta que a medida atrairá investimentos e ajudará a pagar a dívida do estado. A oposição, por outro lado, teme o aumento de tarifas e a precarização dos serviços para a população.