O consumo de bebidas alcoólicas e outras substâncias psicoativas ainda é amplamente associado a momentos de lazer e convivência social. No entanto, quando o uso deixa de ser ocasional e começa a impactar a saúde, os relacionamentos e a rotina, o que parecia uma escolha pode evoluir para uma doença.
O alerta ganha força neste 20 de fevereiro, Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo e às Drogas, data que reforça a importância da conscientização, prevenção e busca por tratamento especializado.
Impactos do álcool e das drogas na saúde mental
De acordo com o médico psiquiatra Dr. Rafael Procópio, do Hospital Márcio Cunha (HMC), o consumo abusivo vai muito além dos efeitos físicos e compromete diretamente a saúde mental.
“O consumo de álcool está relacionado ao aumento de ansiedade, depressão, crises de pânico, alterações de humor, insônia e até quadros psicóticos. Além disso, pode agravar doenças psiquiátricas preexistentes”, explica o especialista.
Segundo ele, muitas pessoas passam a utilizar a substância como uma tentativa de aliviar o sofrimento emocional, mas acabam entrando em um ciclo ainda mais prejudicial.

Sinais de que o consumo pode ter se tornado dependência
A dependência química costuma se instalar de forma silenciosa e progressiva. Por isso, reconhecer os sinais de alerta é fundamental.
Entre os principais indícios estão:
- Dificuldade em reduzir ou interromper o consumo
- Aumento da quantidade utilizada ao longo do tempo
- Necessidade de usar a substância para se sentir bem
- Irritabilidade quando não consome
- Mentiras sobre o uso
- Isolamento social
- Queda no rendimento profissional ou escolar
“A dependência é caracterizada pela perda de controle sobre o uso, mesmo diante de prejuízos evidentes na saúde e na vida pessoal”, reforça o psiquiatra.
Consequências físicas e sociais do uso abusivo
Os impactos do consumo excessivo de álcool e drogas são amplos e podem se agravar com o tempo.
Entre os principais riscos estão:
- Doenças hepáticas
- Problemas cardiovasculares
- Alterações neurológicas
- Comprometimento do sistema imunológico
- Aumento do risco de acidentes, especialmente de trânsito
- Episódios de violência
“O organismo vai se desgastando progressivamente, e as consequências podem ser graves e até fatais”, alerta o médico.
Dependência tem tratamento — e quanto antes, melhor
Apesar dos desafios, a dependência química é reconhecida como uma condição médica e possui tratamento.
Segundo o especialista, o início precoce do acompanhamento profissional:
- Reduz complicações físicas e emocionais
- Diminui o risco de recaídas
- Favorece a reinserção social
- Amplia as chances de recuperação
“A dependência não é fraqueza, é uma doença que precisa de tratamento especializado e acompanhamento contínuo”, destaca Dr. Rafael Procópio.
Data reforça importância do acolhimento
O Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo e às Drogas surge como um convite à reflexão. Informação de qualidade, acolhimento e acesso ao tratamento são pilares essenciais para transformar histórias e salvar vidas.