Vídeos que circulam desde a última semana nas redes sociais têm gerado preocupação em moradores da zona rural de Antônio Dias-MG. As imagens mostram a liberação de um grande volume de água de coloração turva em uma estrutura que deságua no Rio Piracicaba.
Enquanto uma denúncia anônima alega se tratar de descarte de rejeitos de mineração, a empresa Bemisa, responsável pela operação no local, nega a irregularidade e afirma que o procedimento é uma medida de segurança para drenagem da água da chuva.
O que dizem os moradores
O estopim da polêmica foi um áudio enviado à Rede Educadora, atribuído a um morador local que prefere não se identificar, no qual ele afirma que a prática é recorrente. “É rejeito mesmo de minério, tá poluindo o Rio”, diz a voz na gravação. O denunciante sugere que a empresa solta a água acumulada em horários de pouca visibilidade para evitar flagrantes e impedir o transbordamento de uma suposta “estação de rejeitos”.
O receio expresso no áudio é compartilhado por outros moradores da região, que, apesar de pedirem sigilo por segurança, confirmaram ter se assustado com o volume e a cor da água liberada, afirmando não ser uma cena comum.
A explicação da Bemisa
Procurada para prestar esclarecimentos, a Bemisa (Brasil Exploração Mineral S.A.) enviou uma nota oficial à Rede Educadora, na qual apresenta uma versão diferente para o ocorrido.
Segundo a companhia, o procedimento é uma ação preventiva e rotineira, realizada para garantir que o sistema de drenagem tenha capacidade de receber o grande volume de chuvas, comum nesta época do ano, evitando sobrecargas na estrutura.
“A água liberada é apenas a chuva acumulada, sem relação com rejeitos ou materiais de processo industrial. Eventual alteração na coloração pode ocorrer pela movimentação natural de sedimentos do solo, algo comum em situações desse tipo”, afirma a empresa.
A Bemisa reforça ainda que sua mina na região, o Complexo Baratinha, utiliza uma tecnologia de empilhamento a seco, que não emprega o método tradicional de barragens para armazenar rejeitos, o que, em tese, reduziria os riscos associados.
O que fazer ao presenciar um crime ambiental?
A informação é a principal ferramenta do cidadão. Ao se deparar com uma situação que pareça um crime ambiental (desmatamento, poluição de rios, caça ilegal, etc.), é importante documentar com fotos ou vídeos, se for seguro, e acionar os órgãos competentes. As denúncias são anônimas e podem ser feitas para:
• Polícia Militar de Meio Ambiente: Através do número 181 (Disque Denúncia Unificado) ou diretamente nos batalhões locais.
• IBAMA: Pelo telefone 0800 061 8080 (Linha Verde) ou pelo site oficial.