Com a chegada das altas temperaturas e o aumento da procura por áreas de lazer aquáticas, ataques de piranhas têm gerado preocupação no Vale do Aço. Segundo a Polícia Militar de Meio Ambiente, os incidentes estão diretamente relacionados ao comportamento territorial dos peixes, intensificado durante o período da piracema.
Em entrevista à repórter Janete Araújo, o comandante do Pelotão da Polícia Militar de Meio Ambiente na região, tenente Allan Teles, disse que os ataques acontecem, na maioria das vezes, porque os animais interpretam a presença humana como uma invasão de território. “As piranhas são animais territorialistas. Quando as pessoas entram na água, principalmente em lagoas com vegetação, o peixe pode entender aquilo como uma invasão e acabar atacando”, explicou.
O tenente destaca que outros fatores também contribuem para os ataques, como o hábito de banhistas levarem alimentos para os locais de banho. “A presença de restos de comida, pessoas alimentando peixes ou jogando resíduos na água atrai esses animais e aumenta o risco de acidentes”, alertou.
Lagoas com vegetação oferecem mais risco
As piranhas são mais comuns em águas calmas e com grande presença de vegetação, como lagoas. Nesses locais, os peixes costumam se esconder próximos às margens, onde constroem seus ninhos. “Durante a piracema, elas estão se reproduzindo e protegendo os filhotes. Qualquer movimentação perto da margem pode chamar a atenção do animal, que pode atacar dedos dos pés ou das mãos”, afirmou o comandante.
Piracema impõe restrições à pesca
O período da piracema segue até o mês de fevereiro e impõe regras específicas para a pesca, inclusive de espécies consideradas exóticas, como a piranha. “Nesse período, a pesca da piranha é permitida apenas até três quilos, mais um exemplar. Em caso de dúvida, o ideal é procurar uma unidade da Polícia Militar de Meio Ambiente”, orientou Allan Telles.
Segundo ele, o objetivo da fiscalização é garantir o equilíbrio entre o lazer da população e a preservação ambiental. “A gente busca conciliar o interesse das pessoas em se refrescar com a necessidade de manter um meio ambiente equilibrado para todos”, destacou.
Como evitar ataques de piranhas
A Polícia Militar de Meio Ambiente reforça algumas recomendações importantes para prevenir acidentes. Evitar entrar em lagoas com muita vegetação é uma das principais recomendações das autoridades, assim como não frequentar locais que não tenham acompanhamento ou telas de proteção. A orientação é dar preferência a clubes e parques monitorados, onde há controle ambiental e maior segurança para os banhistas.
Também é fundamental não alimentar animais silvestres e não jogar restos de alimentos na água, já que esses resíduos atraem as piranhas. Além disso, a Polícia Militar de Meio Ambiente alerta para que as pessoas evitem entrar na água com ferimentos abertos, pois o sangue pode chamar a atenção dos peixes e aumentar o risco de ataques. “Buscar informação sobre o local adequado para banho é fundamental. Em clubes e parques com acompanhamento, o risco é significativamente menor”, reforçou o tenente.
Espécie não nativa da bacia do Rio Doce
As piranhas presentes no Vale do Aço não são nativas da bacia do Rio Doce. Elas são classificadas como espécies alóctones, introduzidas na região por ação humana. “Elas vieram de outras bacias, mas se adaptaram muito bem aqui, se reproduzem com facilidade e se espalharam ao longo dos anos”, explicou Allan Telles.