O Carnaval de Timóteo 2026, que marcou o retorno da festa à cidade após 14 anos, foi definido pela Prefeitura como um “sucesso total”. No entanto, por trás da alegria dos foliões, uma controvérsia envolvendo os vendedores cadastrados pelo município no Projeto Praça Viva gerou um debate acalorado durante uma coletiva de imprensa realizada nesta semana. A Rede Educadora, representada pela repórter Janaína Oliveira, questionou o prefeito Capitão Vitor Prado sobre a situação dos comerciantes que se sentiram excluídos do evento.
A versão da Prefeitura: responsabilidade do instituto e sucesso de vendas
Durante a coletiva realiza nesta sexta-feira (20), o prefeito Capitão Vitor Prado e sua equipe defenderam a organização do evento, transferindo a responsabilidade pela gestão dos espaços para o Instituto Moreira Matos, entidade que promoveu o Carnaval com recursos de emendas impositivas da Câmara Municipal. Segundo o prefeito, a Prefeitura atuou apenas como “distribuidora da verba”, e o instituto tinha a prerrogativa de definir as regras do evento.
“O projeto do Carnaval não é do município. O projeto do Carnaval é do Instituto Moreira Matos. (…) Então o evento é do Instituto”, afirmou o prefeito.
Além disso, a administração municipal argumentou que a relocação dos vendedores foi necessária por questões de segurança e organização, e que não havia espaço para todos dentro da área principal do evento.
A voz dos vendedores: exclusão, taxas e prejuízos
Do outro lado da história, a repórter Janaína Oliveira, da Rádio Educadora, trouxe à tona a insatisfação de parte dos vendedores da Praça Viva. Segundo a denúncia, dos mais de 17 comerciantes do local, menos de 10 conseguiram espaço no evento, e mesmo assim em uma área menos privilegiada. A repórter questionou a justiça de um evento com dinheiro público que priorizou comerciantes de fora em detrimento dos locais.
“Não era justo que eles estivessem lá dentro, junto com os comerciantes que vieram de fora, para poder comercializar, já que a gente está falando tanto do dinheiro circulando dentro da cidade?”, questionou Janaína.
A polêmica se aprofundou com a revelação de que os comerciantes teriam que pagar uma taxa de R$ 3 mil para ter um espaço dentro do evento, valor que muitos consideraram inviável. Além disso, a repórter relatou ter sido proibida de entrar no evento com alimentos comprados do lado de fora, situação que aconteceu com todos os foliões que saíram do espaço fechado para consumir nas barracas dos vendedores da Praça Viva.
Pontos de interrogação: o que ficou sem resposta?
A coletiva de imprensa terminou com mais perguntas do que respostas. A discrepância entre a versão da prefeitura e a dos vendedores levanta dúvidas sobre a transparência do processo. Quem, de fato, foi responsável pela exclusão dos comerciantes? A taxa de R$ 3 mil foi realmente cobrada de todos? E, afinal, os vendedores tiveram lucro ou prejuízo?
A prefeitura se comprometeu a apresentar documentos que comprovem a legalidade de suas ações, mas a sensação que fica é a de que faltou diálogo e sensibilidade com os trabalhadores locais. A comunidade de Timóteo, que celebrou o retorno do Carnaval, agora espera por esclarecimentos e por uma solução que garanta a inclusão de todos nos próximos eventos.