“Não sou mercenário”: jovem de Ipatinga embarca para lutar na guerra da Ucrânia

Na semana em que a guerra entre Ucrânia e Rússia completa quatro anos, um jovem do Vale do Aço se prepara para seguir ao front. Gilson Junio Ramos Matias, de 26 anos, morador do bairro Vila Celeste, em Ipatinga, embarca nos próximos dias para Kiev, onde atuará como voluntário nas forças ucranianas.

Em entrevista à Rede Educadora, Junio explicou que a decisão nasceu da comoção com o conflito desde o início da invasão russa. Segundo ele, acompanhar os desdobramentos da guerra despertou um sentimento de indignação. “Ver um país sendo invadido e pessoas sendo oprimidas me tocou profundamente. A dor do próximo precisa nos comover”, afirmou.

Além disso, o jovem rejeita o rótulo de mercenário e garante que o dinheiro não motivou sua escolha. “Temos contrato com o Exército ucraniano e os mesmos direitos de qualquer soldado. O salário não paga os riscos”, declarou.

Alistamento, riscos da guerra e alerta do Itamaraty

O alistamento ocorre de forma online, não exige experiência militar prévia e inclui treinamento padrão da OTAN. As missões envolvem ações de assalto, reconhecimento e defesa de trincheiras. Além disso, o batalhão custeia alimentação, alojamento e equipamentos.

Mesmo ciente do alerta do Itamaraty sobre possíveis sanções legais e assistência consular limitada, Júnior discorda da posição oficial. Para ele, brasileiros que decidem lutar na Ucrânia deveriam receber apoio, e não julgamento.

A decisão, no entanto, provocou sofrimento na família, que tentou convencê-lo a desistir. Com o tempo, conforme relata, houve maior compreensão. Ao final, o jovem deixou um alerta: “Não incentivo ninguém a ir. Guerra não é videogame. Dinheiro nenhum paga uma vida”, finaliza.

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