“Sexta-feira 13”: Padre desmistifica superstições e reforça a importância da fé

Nesta sexta-feira 13, data cercada de superstições e folclore, o padre José Enésio Pinheiro, da paróquia Nossa Senhora de Fátima no bairro Caladinho do Meio, em Coronel Fabriciano, conversou com a Janete Araújo para desmistificar algumas das crenças populares e trazer uma reflexão sob a ótica da fé cristã. Para o religioso, a data não passa de um dia como qualquer outro, e o medo associado a ela não condiz com os ensinamentos de Jesus.

De acordo com o padre, a mensagem central do cristianismo é de amor e de superação do mal com o bem, o que se contrapõe diretamente à ideia de maldição frequentemente associada à sexta-feira 13. Ele cita as escrituras para reforçar que a fé em Deus é um antídoto para o medo. “Quem tem fé não tem medo”, afirma, lembrando as palavras do apóstolo João e de Jesus, que assegurou que “até os fios de cabelo de sua cabeça estão contados”.

O padre também aborda a questão das maldições, explicando que, segundo a teologia de São Tomás de Aquino, só se pode amaldiçoar aquilo sobre o qual se tem poder. “Quem tem poder de mandar o diabo para cima de mim? É só Deus. Então, essa é a nossa fé”, ressalta, tranquilizando os fiéis de que as pragas e maldições não têm poder sobre aqueles que confiam em Deus.

Cultura, crendice e liberdade religiosa

Ao ser questionado sobre a origem de superstições como as que envolvem gatos pretos e bodes, o padre Pinheiro explica que muitas dessas crenças estão enraizadas em práticas culturais e religiosas antigas, como os rituais judaicos e os de religiões de matriz africana. Ele enfatiza a importância de respeitar a liberdade religiosa e de não misturar as diferentes crenças.

“O jeito deles rezar é o jeito deles rezar. A minha fé é a minha fé. Eu não posso misturar uma fé com a outra”, pontua. Ele também comenta sobre o uso de amuletos e rituais populares, como o banho de sal grosso, explicando que, embora possam ter efeitos energéticos no corpo, não devem ser confundidos com a fé cristã.

A posição da Igreja sobre o sacrifício de animais

Um dos temas mais controversos ligados à data é o sacrifício de animais. O padre José Enésio Pinheiro é enfático ao condenar a prática, especialmente quando realizada de forma cruel e associada a lendas e grupos que não possuem uma crença definida. Ele distingue o abate de animais para alimentação do ato de “judiar” e do sacrifício ritualístico.

Para os católicos, a mensagem é clara: “Nós, católicos, não temos que sacrificar bicho nenhum, não temos que judiar com animal nenhum, por causa de culto religioso”, afirma. Ele explica que o sacrifício de Jesus na cruz substitui qualquer outro tipo de sacrifício, e que a proteção aos animais é um dever de todos.

Em suma, a mensagem do padre José Enésio Pinheiro para esta sexta-feira 13 é de que a fé e a confiança em Deus são as melhores ferramentas para combater o medo e as superstições. Ele convida os fiéis a se apegarem aos ensinamentos de Cristo e a não se deixarem levar por crenças que geram temor e insegurança.