Social FC planeja temporada 2026 com calendário cheio e aposta na base para superar desafios

Em um cenário de grandes expectativas e desafios financeiros, o Social Futebol Clube se prepara para uma temporada intensa em 2026. Em entrevista exclusiva ao programa “Microfone Aberto”, da Rede Educadora, o diretor de futebol Gerson Evaristo e o treinador do sub-20, Jefferson Henrique, detalharam o planejamento do clube, que terá competições para as categorias de base e para o profissional ao longo de quase todo o ano.

O primeiro compromisso será o Campeonato Mineiro Sub-20 da primeira divisão, que tem arbitral marcado para o próximo dia 26 de janeiro. A expectativa é que a bola comece a rolar entre fevereiro e março. Para Gerson Evaristo, a definição do calendário é crucial, mas ele já adianta que a temporada será longa. “O campeonato não termina antes da Copa do Mundo. Ele começa antes da Copa agora e provavelmente se estenderá pra sua fase final, talvez, pós-Copa do Mundo”, explicou o diretor, apontando uma crítica ao calendário extenso que pode aumentar os custos para os clubes.

Já a equipe profissional, que disputará a Segunda Divisão (equivalente ao terceiro módulo estadual), só deve entrar em campo em agosto, após o mundial. As categorias sub-15 e sub-17 também terão seus campeonatos, consolidando um ano de atividades intensas para o Saci.

Os desafios por trás do espetáculo

Apesar do calendário promissor, a realidade financeira impõe obstáculos significativos. Gerson Evaristo foi enfático ao desmistificar a imagem glamorosa do esporte. “É muito bonito o futebol na televisão. Mas o bastidor, o que passa quem tá do lado de cá, pra fazer isso até chegar na televisão, é muito complicado”, desabafou.

Ele detalhou os altos custos operacionais que muitos torcedores não imaginam, desde a alimentação dos atletas até despesas médicas. “Hoje você, principalmente nessa faixa etária, tem que ter, no mínimo, quatro refeições diárias, só que no Social são cinco. (…) Então, assim, cara, é muito caro o futebol”, afirmou Evaristo. Essa estrutura de custos, segundo ele, explica por que tantos clubes tradicionais desapareceram do mapa do futebol mineiro nos últimos anos.

O resgate da essência contra a “gourmetização”

Outro ponto crítico discutido foi a mudança no perfil do jogador brasileiro. O técnico Jefferson Henrique criticou a tendência de “gourmetização” e a importação de modelos táticos europeus, que, segundo ele, têm prejudicado a revelação de talentos genuínos.

“O Brasil é pentacampeão, então por que a gente tem que copiar de fora? Eles que têm que vir e aprender conosco, e não nós puxar isso de fora”, questionou o treinador. Ele criticou os padrões físicos rígidos que excluem atletas talentosos, mas de baixa estatura. “A gente só estava pegando atletas de estatura alta. O meu atleta do ano passado, o Coquinho, tem 1,63m, ele foi titular e o artilheiro da equipe. Hoje, pelos padrões do futebol, o Atlético não vai querer contratar ele”, exemplificou Jefferson.

A vitrine da primeira divisão

Com o acesso da equipe sub-20 à elite do futebol mineiro, a visibilidade para os jovens atletas aumenta exponencialmente. Gerson Evaristo destacou que esta é uma oportunidade única para os jogadores mostrarem seu valor. “A primeira divisão é vitrine. Vocês foram pegar uma mercadoria que agora está realmente na vitrine, está exposta para todo mundo ver”, disse Evaristo, em um recado direto aos atletas. Ele reforçou que o papel da comissão técnica é de apoiar, mas o protagonismo é dos jogadores. “Nós somos coadjuvantes na história de vocês. Vocês são os artistas principais, só depende de vocês.”

O clube também planeja melhorias no estádio Louis Ensch e reforça a necessidade do apoio de comerciantes e da comunidade de Coronel Fabriciano para garantir a sustentabilidade do projeto. Com um ano cheio pela frente, o Social aposta na força de sua base e na paixão de sua torcida para voltar a ter destaque no cenário estadual.