O Brasil marca, nesta data, cinco anos da aplicação da primeira dose de uma vacina contra a COVID-19. O evento ocorreu em 17 de janeiro de 2021. Naquela época, o país deu início à campanha nacional de imunização em um momento crítico, pois já registrava mais de 210 mil mortes pela doença.
A enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, recebeu a primeira dose no Hospital das Clínicas da USP, em São Paulo. O imunizante escolhido foi a CoronaVac, que a Sinovac desenvolveu em parceria com o Instituto Butantan. Além disso, a aplicação ocorreu poucas horas após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o uso emergencial da vacina, bem como do imunizante da Oxford/AstraZeneca .
A escolha de Calazans foi simbólica. Como profissional negra atuando na linha de frente, ela representava um dos grupos mais afetados pela crise e, ao mesmo tempo, todos os trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS).
Trajetória e Impacto da Campanha
A campanha de vacinação em massa começou logo no dia seguinte, 18 de janeiro de 2021. Naquele momento, o governo distribuiu um lote de 6 milhões de doses da CoronaVac . A estratégia inicial, portanto, priorizou profissionais de saúde, idosos e populações vulneráveis. Isso ocorreu enquanto o Brasil enfrentava a disseminação da variante Gama, considerada mais letal.
Como resultado, os efeitos da vacinação foram observados nos meses seguintes. A partir de abril de 2021, dados oficiais indicaram uma queda acentuada nas taxas de hospitalização e mortalidade entre os idosos. Afinal, eles foram o primeiro grupo a receber ampla cobertura vacinal .
Estudo de Caso: Projeto S
Para comprovar a eficácia da CoronaVac, o Instituto Butantan conduziu o Projeto S na cidade de Serrana (SP). O estudo de efetividade em cenário real foi fundamental. Após a imunização em massa da população adulta, o projeto registrou quedas de 80% nos casos sintomáticos, 86% nas internações e 95% nas mortes, validando assim o impacto positivo da vacina .
Atrasos e a CPI da Covid-19
No entanto, o início da vacinação no Brasil foi antecedido por intensos debates políticos e logísticos. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, por exemplo, investigou a conduta do governo federal. Em 2021, a comissão concluiu em seu relatório final que houve atraso intencional na aquisição de imunizantes. Consequentemente, isso teria contribuído para o agravamento da crise sanitária e o aumento de óbitos no país .
Estudos independentes estimaram o custo desses atrasos. Uma análise da Universidade Federal de Minas Gerais, por exemplo, apontou que o Brasil poderia ter evitado cerca de 400 mil mortes. Para isso, a campanha de vacinação deveria ter começado 40 dias antes, em um cronograma similar ao de nações como o Reino Unido .
Panorama da Vacinação Após 5 Anos
Hoje, cinco anos após o início da campanha, o Brasil alcançou altos índices de cobertura vacinal. Dados compilados até 13 de janeiro de 2026 indicam o seguinte panorama :
| Nível de Cobertura (COVID-19) | População Vacinada | Percentual da População |
| 1ª Dose | 184.074.775 | 90,43% |
| Esquema Primário Completo | 166.603.578 | 85,13% |
| Doses de Reforço | 105.445.321 | 57,56% |
Esses números, em suma, refletem a adesão da população à campanha e a capacidade de distribuição do programa nacional de imunizações. A data serve como um marco para a análise da maior campanha de vacinação da história do país, bem como de seus efeitos demográficos e na saúde pública.