“Ver um supermercado cheio foi um choque”: relato de uma refugiada venezuelana sobre a crise e o recomeço em Ipatinga

O choque de ver um supermercado com prateleiras cheias foi o primeiro grande impacto para a venezuelana Genesis Salazar ao chegar ao Brasil em 2018. Em uma entrevista emocionante à Rádio Educadora FM, a moradora de Ipatinga, no Vale do Aço, compartilhou a dor de deixar para trás um país devastado pela crise humanitária e a esperança de reconstruir a vida. Seu relato oferece uma janela para a dura realidade enfrentada por milhares de refugiados que buscam no Brasil uma segunda chance, longe da fome e da repressão política que assolam a Venezuela.

Antes de encontrar refúgio em Minas Gerais, a vida de Genesis era marcada por uma luta diária pela sobrevivência. Ela descreve um cenário onde a falta de alimentos, água e energia se tornou a norma, e a dignidade humana foi corroída pela escassez. “A gente perdeu a dignidade. Ter acesso a itens básicos como ovos ou maçãs virou um luxo”, contou, explicando que a crise é também um instrumento de controle de um regime ditatorial que silencia opositores e governa pela necessidade. A decisão de migrar, portanto, não foi uma escolha, mas uma imposição pela busca de condições mínimas de existência.

Hoje, em Ipatinga, Genesis e outros conterrâneos se esforçam para se adaptar e manter sua cultura viva através de iniciativas como o projeto “Raízes Venezolanas”, que promove a integração e fortalece os laços da comunidade. Seu testemunho, concedido em um momento de renovada esperança por mudanças políticas em seu país natal, é um poderoso lembrete da resiliência humana. A história de Genesis simboliza a jornada de todos que, mesmo diante da adversidade extrema, não desistem do direito de sonhar com um futuro de paz e dignidade.

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