Um satélite científico da Nasa, a agência espacial norte-americana, volta a entrar na atmosfera da Terra nesta quarta-feira (4) após o fracasso de uma missão de resgate em órbita. A trajetória de queda do equipamento, que pesa cerca de 1,5 tonelada, traça uma rota que cruza a América do Sul e coloca estados brasileiros — incluindo regiões de Minas Gerais situadas na faixa orbital — na zona onde fragmentos resistentes podem, em tese, atingir o solo.
Trata-se do Observatório Espacial Neil Gehrels Swift, lançado em 2004 e avaliado em US$ 500 milhões. O equipamento operava em órbita inclinada de aproximadamente 20,6° em relação à Linha do Equador. Conforme cálculos mais recentes divulgados pela Aerospace Corporation, a reentrada estava projetada para ocorrer por volta das 7h19 (horário de Brasília), com margem de variação de até duas horas.
Risco reduzido e desintegração no ar
Apesar da rota abranger o território brasileiro, astrônomos e especialistas destacam que a possibilidade de danos materiais ou vítimas é extremamente remota. A Nasa estima que a probabilidade de qualquer pessoa ser atingida por detritos espaciais do Swift é de 1 em 2.100.
Ao penetrar na atmosfera em altíssima velocidade, o atrito com o ar gera temperaturas extremas que queimam e vaporizam quase a totalidade da massa do satélite. Apenas peças de ligas metálicas mais densas ou tanques reforçados costumam sobreviver à queima, com grande chance de caírem em áreas desabitadas ou nos oceanos.
Resgate fracassado e fim de missão
Projetado originalmente para operar por dois anos, o Swift estendeu suas observações por mais de duas décadas, registrando mais de duas mil explosões de raios gama — os eventos energéticos mais intensos conhecidos no universo. Como não possuía sistema próprio de propulsão para corrigir altitude, o telescópio vinha perdendo sustentação orbital mês a mês.
Em julho, a Nasa tentou acoplar uma nave de resgate da startup Katalyst para rebocar o satélite para uma órbita mais estável. O módulo de socorro, entretanto, perdeu o controle de rotação no espaço, obrigando as equipes a abortarem a manobra e selarem o destino do observatório.