A Polícia de Ipatinga está focada em desvendar as inúmeras contradições apresentadas pelo homem de 31 anos, preso em flagrante como principal suspeito do feminicídio de Mayra Kelly Rocha, ocorrido na manhã de segunda-feira (02), no bairro Bom Jardim. Conforme informado pelo Portal Educadora, embora encontrado na cena do crime, ao lado do corpo da vítima, ele nega ser o autor direto do assassinato e apresenta versões conflitantes que estão sendo minuciosamente apuradas.
A investigação ganhou contornos de um quebra-cabeça após o suspeito, em seu depoimento inicial, alegar que outras pessoas estiveram na residência antes da chegada da polícia. Ele mencionou o consumo de drogas durante a madrugada e citou a presença de um motociclista que teria visitado o local, mas não forneceu detalhes que permitissem a identificação dessa terceira pessoa. Para a polícia, a tentativa de introduzir novos personagens na narrativa pode ser uma estratégia para confundir as apurações.
Essa versão é parcialmente corroborada por uma testemunha, que afirmou ter visto um indivíduo saindo de motocicleta da residência após ouvir uma discussão e um barulho semelhante a um tiro. No entanto, a mesma testemunha relatou ter observado uma movimentação suspeita dentro do imóvel, o que reforça a linha de investigação sobre a dinâmica do crime.
Provas materiais contrapõem versão do suspeito
Apesar das tentativas de desviar o foco, as provas materiais coletadas na cena do crime complicam a situação do suspeito. A perícia técnica confirmou que a vítima foi morta com um tiro na testa e apresentava sinais de enforcamento, evidenciados por uma corda encontrada em seu pescoço. A brutalidade do crime sugere um ato de violência direta e pessoal.
Além disso, a apreensão de um revólver calibre .32, com uma munição deflagrada e outras quatro intactas, no guarda-roupas do quarto onde o suspeito foi encontrado, é uma das principais evidências que o conectam ao crime. Uma munição intacta do mesmo calibre também foi localizada ao lado dele, na cama onde estava deitado quando a polícia chegou.
A Polícia Militar, que efetuou a prisão em flagrante, foi acionada por uma denúncia anônima que relatava uma briga seguida de um disparo. Ao chegarem, os militares encontraram a vítima já sem vida e o suspeito no quarto, o que o coloca como a figura central no momento do crime.
A Polícia agora trabalha para confrontar as declarações do autor com as provas técnicas e o depoimento de testemunhas. O objetivo é esclarecer a motivação do feminicídio e determinar se houve a participação de outras pessoas ou se as alegações do suspeito são apenas uma manobra para escapar da responsabilidade pelo crime.
Despedida
O velório de Mayra Kelly Rocha, vítima do feminicídio ocorrido em Ipatinga, será realizado nesta terça-feira, 03 de fevereiro, a partir das 12h. A cerimônia de despedida acontecerá na Igreja Assembleia de Deus, localizada na Rua Sempre Viva, 348, onde familiares e amigos prestarão as últimas homenagens.
