Caminhoneiros de diferentes regiões do Brasil articulam uma paralisação nacional que pode começar entre esta quarta (18) e quinta-feira (19). A mobilização é uma resposta direta à alta recente no preço do diesel. Lideranças da categoria orientam os motoristas a permanecerem parados em casa ou em postos de combustível.
O movimento ganhou força após o combustível acumular um aumento de quase 19% desde o final de fevereiro. A situação se agravou quando a Petrobras elevou o preço do diesel nas refinarias em 11,6%, logo após o governo federal anunciar medidas para tentar conter a crise.
A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) lideram a articulação. Segundo Wallace Landim, presidente da Abrava, a paralisação é uma “luta pela sobrevivência” econômica da categoria, sem motivações políticas.
Os caminhoneiros exigem o cumprimento rigoroso do piso mínimo de frete estabelecido pela ANTT e punições para empresas infratoras. Eles também cobram maior atuação da Petrobras na regulação de preços e melhorias nas condições de trabalho, como a redução de pedágios nas rodovias de Minas Gerais e do país.
O cenário atual desperta temores de um colapso logístico semelhante ao ocorrido na histórica greve de maio de 2018. Naquela época, a paralisação durou 10 dias e causou perdas estimadas em R$ 30 bilhões, afetando o abastecimento de supermercados, hospitais e aeroportos em todo o território nacional.
O mercado financeiro já reage com preocupação à ameaça de greve, com as taxas de juros futuras voltando a subir. O governo federal tenta desmobilizar a categoria prometendo intensificar a fiscalização sobre o piso do frete. A expectativa agora gira em torno do nível de adesão dos motoristas nos próximos dias.