AO VIVO 91.7 FM

Comunidade se mobiliza em defesa do Colégio Angélica: “essa história não pode morrer”

Portal Educadora

Publicado há 2 horas

COMPARTILHAR

WhatsApp
Facebook
Email

Sob o lema “Unidos pela preservação do Colégio Angélica, patrimônio histórico de Fabriciano”, moradores, ex-alunos, ex-funcionários e lideranças comunitárias participaram de uma manifestação realizada neste sábado (30), em frente ao antigo colégio, para defender a preservação do imóvel, considerado um dos principais patrimônios históricos de Coronel Fabriciano.  

O movimento ocorre em meio às discussões sobre o futuro da área e ao receio de parte da população quanto à descaracterização de um espaço que marcou gerações de estudantes do Vale do Aço.  

Ex-professora relembra trajetória ligada ao Colégio

Durante o ato, a professora aposentada Eunice Pessoa de Araújo Martins emocionou os participantes ao recordar sua história com a instituição. Ela contou que estudou no Colégio Angélica desde os sete anos de idade, concluiu sua formação no local e posteriormente retornou como professora, onde encerrou sua carreira profissional.  

“A minha vida foi aqui no Colégio Angélica. A minha formação eu devo às irmãs Carmelitas. Eu entrei aqui com sete anos para estudar. Fiz todo o curso até o normal. Depois eu voltei como professora e aposentei aqui no Colégio Angélica. Para resumir, minha vida foi toda aqui com as irmãs Carmelitas”, declarou.  

A ex-professora também destacou a importância histórica da instituição para toda a região.

“Por que essa história não pode morrer? O Colégio Angélica é o patrimônio de Coronel Fabriciano. Ele faz parte da nossa história”, afirmou.  

Liderança comunitária cobra mobilização da sociedade

Outro participante da manifestação foi Benedito Pacífico, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Vale do Aço (Sindhorb). Morador de Fabriciano há mais de quatro décadas, ele demonstrou preocupação com a situação do imóvel e defendeu maior participação da comunidade na defesa do patrimônio.  

“Me espanta ver que tantos alunos que formaram aqui durante 70 anos de existência do colégio, poucos se manifestam. Ex-funcionários, ex-alunos, ninguém tomou um posicionamento a respeito da conservação desse patrimônio histórico”, declarou.  

Benedito também lembrou a existência de decretos municipais de proteção ao prédio e alertou para os riscos do abandono da estrutura. Segundo ele, mesmo sem uma eventual demolição, a falta de manutenção pode comprometer a preservação do imóvel ao longo do tempo.  

Comunidade defende preservação da fachada histórica

Durante a manifestação, uma das propostas defendidas pelos participantes foi a preservação da parte frontal do prédio, considerada um dos principais símbolos arquitetônicos da história de Coronel Fabriciano. A ideia seria permitir o aproveitamento de outras áreas do terreno, desde que a fachada histórica fosse mantida.  

Relembre o caso

O Colégio Angélica se tornou tema de debates após surgirem informações sobre a venda do imóvel ao Grupo Coelho Diniz. O prédio foi administrado pelas Irmãs Carmelitas por mais de 50 anos e funcionou como instituição de ensino durante cerca de 70 anos.  

A comunidade artística e cultural da cidade defende que o espaço seja transformado em um centro cultural, abrigando biblioteca, museu, teatro e exposições. O imóvel é protegido por decretos municipais publicados em 2016 e 2017.  

Conforme divulgado anteriormente, representantes do Grupo Coelho Diniz afirmaram que a aquisição do imóvel tem caráter de investimento e que qualquer intervenção futura será comunicada à sociedade e aos órgãos competentes. Já a Prefeitura de Coronel Fabriciano informou que o prédio não será demolido e que qualquer alteração dependerá de autorização dos órgãos de proteção ao patrimônio.  

A manifestação deste sábado reforçou que a comunidade segue acompanhando de perto os desdobramentos envolvendo o futuro do Colégio Angélica.  

Recentes