O Conselho Municipal de Patrimônio de Coronel Fabriciano realizou nesta segunda-feira (1º de junho) uma reunião para discutir o futuro do Colégio Angélica, um dos imóveis históricos mais importantes do município. O encontro reuniu conselheiros e membros da comunidade em resposta à mobilização social que ganhou força após a manifestação realizada no sábado anterior.
Manifestação popular influencia decisões do Conselho
A participação da população na manifestação de sábado interferiu diretamente nas decisões da reunião. Teco Teixeira, diretor do Departamento de Cultura e presidente do Conselho Municipal de Patrimônio, em entrevista à repórter da Rádio Educadora, Mônica Soares, destacou a importância da mobilização comunitária.
“A gente fica extremamente feliz de ver a manifestação da sociedade, dos poderes, em defender um bem tombado, algo histórico em nossa cidade, que é o Colégio Angélica”, afirma Teixeira. Ele ressalta que, diante de todas as informações que chegaram ao Conselho, a decisão foi convocar a reunião para “mostrar para a sociedade que o Conselho está atento, o Conselho está acompanhando”.
Esclarecimento sobre o tombamento
Teco Teixeira esclarece um ponto importante sobre o status legal do Colégio Angélica. “Vale lembrar que um bem tombado não pode ser impedido de ser comercializado, ou seja, não pode ser vendido, não tem a lei que proíba isso. A lei apenas é para que o bem tombado seja preservado.”
Essa explicação é fundamental para compreender que o tombamento não impede a venda do imóvel, mas estabelece a obrigação de preservar suas características e seu valor histórico.
Requerimento aprovado por unanimidade
Durante a reunião, o Conselho aprovou por unanimidade a elaboração de um requerimento para que os atuais proprietários apresentem oficialmente quais são os planos e intenções para o Colégio Angélica. O objetivo é garantir transparência no processo e acompanhar qualquer proposta relacionada ao prédio.
“Nessa reunião de hoje, nós apresentamos a proposta para o Conselho de requerer ao novo proprietário quais são as intenções, os projetos para o Colégio Angélica, para a gente pautar tudo através do diálogo”, explica Teixeira.
O presidente do Conselho acredita que o diálogo é o caminho para tranquilizar a sociedade. “Eu acho que a gente conversando, a gente trocando essas informações, a gente vai tranquilizar toda a sociedade, os poderes, para que a gente possa continuar preservando a história e um bem tombado tão importante para Coronel Fabriciano, para todo o Vale do Aço.”
Acompanhamento do acervo
Outro encaminhamento aprovado prevê a solicitação de autorização para que uma comissão do Conselho acompanhe a situação do acervo existente no local, que também integra o patrimônio protegido.
“A gente vai estar solicitando dentro desse requerimento, para ter consciência do que vai ser feito. A gente também vai pedir uma autorização, porque o bem tem um proprietário, e a gente vai pedir essa autorização para nós acompanharmos todo o acervo, porque o acervo que está lá dentro também faz parte do tombamento”, detalha Teixeira.
A intenção é verificar as condições dos materiais e acompanhar eventuais movimentações. “Para isso, nós precisamos da autorização do proprietário, autorização que vai ser encaminhada através de ofício, para que o Conselho possa criar uma comissão para estar acompanhando todo o acervo que tem dentro do Colégio Angélica.”
Conversa com os novos proprietários
Teco Teixeira revela que já houve uma conversa preliminar com os novos proprietários. “O que a gente conversou com os novos proprietários é saber das intenções. A gente vai pedir isso de uma forma oficializada, mas o que a gente sabe é que eles não têm intenção nenhuma de atrapalhar a história de Coronel Fabriciano, isso nos dá uma certa tranquilidade.”
Ele deixa aberta a possibilidade de que os proprietários apresentem projetos benéficos para a cidade. “Porque a nossa intenção é de proteger o bem, mas também a gente tem que ouvir. De repente eles têm um projeto que possa trazer benefícios para a cidade, sem atrapalhar, sem interferir no bem tombado em questão.”
Importância do documento oficial
O presidente do Conselho destaca a relevância do requerimento aprovado. “Esse documento é extremamente importante. Ele foi aprovado por unanimidade pelo Conselho para que eles possam nos enviar o projeto, quais são as verdadeiras intenções para o Colégio Angélica.”
Próximos passos: diálogo com a empresa
O Conselho informou que pretende convidar representantes da empresa responsável pela aquisição do imóvel para participar das próximas reuniões. A proposta é promover o diálogo, esclarecer dúvidas da comunidade e conhecer os projetos previstos para o futuro do Colégio Angélica.
A população segue acompanhando os desdobramentos do caso. O Conselho reforça que vai continuar monitorando a situação para garantir a preservação do patrimônio histórico e cultural de Coronel Fabriciano.