O tombamento de um caminhão-tanque carregado com cerca de 46 mil litros de combustível, na madrugada desta terça-feira (9), no km 303 da BR-381, em Antônio Dias, revelou um problema que vai além da interdição da rodovia. O vazamento da carga atingiu a drenagem do Córrego do Machado, importante afluente do rio Piracicaba, e passou a preocupar moradores da comunidade da Mangorreira, nas proximidades da Usina Hidrelétrica (UHE) Guilman-Amorim.
Segundo relatos enviados à Rede Educadora, moradores já apresentam sintomas como enjoos e dores de cabeça devido ao forte odor do produto derramado.
Combustível atingiu o Córrego do Machado
O acidente ocorreu no sentido Leste da BR-381, quando o veículo tombou no canteiro central da rodovia. Inicialmente, a concessionária Nova 381 informou a criação de um perímetro de segurança de aproximadamente um quilômetro em razão do risco de explosão.
No entanto, o impacto ambiental já havia sido registrado. Sônia Baumgratz, coordenadora técnica de Meio Ambiente da UHE Guilman-Amorim, confirmou que o combustível alcançou a drenagem do Córrego do Machado.
“O vazamento do produto atingiu a drenagem do Córrego do Machado, que é um afluente do rio Piracicaba”, informou.
Segundo ela, a responsabilidade pelo atendimento da ocorrência é da transportadora, do Núcleo de Emergência Ambiental (NEA) da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e do Corpo de Bombeiros, responsáveis pela avaliação dos impactos ambientais.
Comunidade cobra assistência
Moradores da Mangorreira demonstram preocupação com a falta de informações e de medidas emergenciais voltadas à população ribeirinha. Questionada sobre a existência de protocolos para atendimento das famílias afetadas, a coordenação da UHE Guilman-Amorim informou que o acidente não foi provocado pela usina.
“O acidente não foi causado pela usina hidrelétrica, portanto não temos que agir legalmente”, respondeu a coordenadora. A usina informou ainda que acompanha a situação dentro da área da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) e que poderá colaborar caso seja acionada pela Defesa Civil.
Moradores temem impactos na saúde e na pesca
Além dos sintomas relatados pela população, há preocupação com possíveis danos à fauna aquática e aos peixes utilizados para alimentação por diversas famílias da região.
Até o fechamento desta reportagem, não havia informações sobre eventual distribuição de água potável, atendimento médico específico ou outras medidas direcionadas à comunidade da Mangorreira.
Prefeitura de Antônio Dias acompanha situação
Em contato telefônico com a reportagem, o prefeito de Antônio Dias, Elcinho Ataíde, informou que estava reunido com o departamento jurídico do município e representantes da Defesa Civil para avaliar as providências necessárias.
Segundo o chefe do Executivo, a Copasa também foi acionada e uma nota oficial deverá ser encaminhada à imprensa.