Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dificuldade para engolir e perda de peso sem causa aparente podem parecer sintomas comuns, mas, quando persistem por mais de duas semanas, merecem atenção. O alerta faz parte da campanha Julho Verde, que busca conscientizar a população sobre o câncer de cabeça e pescoço e reforçar a importância do diagnóstico precoce.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026-2028. Entre os homens, o câncer da cavidade oral é o quinto tipo mais frequente, com estimativa de 17.190 novos casos anuais.
Sintomas costumam ser ignorados
O câncer de cabeça e pescoço engloba tumores que podem surgir na boca, língua, lábios, garganta, laringe, faringe, cavidade nasal, seios da face, glândulas salivares e tireoide. Além do risco à vida, a doença pode comprometer funções importantes como falar, respirar, mastigar e engolir.
De acordo com o cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital Márcio Cunha, Dr. Clineu Gaspar, um dos maiores desafios é que os primeiros sintomas costumam ser discretos e frequentemente confundidos com problemas menos graves. “Os sinais mais frequentes são feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dificuldade para deglutir, perda de peso sem causa aparente e outras alterações na boca ou na garganta. Quando esses sintomas permanecem por mais de 14 ou 15 dias, é fundamental procurar um médico para uma investigação mais aprofundada.”
Segundo o especialista, muitos pacientes chegam aos serviços de saúde com a doença em estágio avançado por desconhecerem os sintomas ou demorarem a procurar atendimento.
Tabagismo e álcool são os principais fatores de risco
O médico explica que a maioria dos casos está relacionada a fatores que podem ser evitados, principalmente o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas.
Segundo ele, cerca de 95% dos pacientes diagnosticados apresentam histórico desses dois hábitos e, quando associados, o risco de desenvolver a doença pode ser até 40 vezes maior em comparação com pessoas que não fumam nem bebem.
Outro fator que tem ganhado importância é a infecção pelo HPV, hoje considerada uma das principais causas do câncer de orofaringe.
Dentista ajuda no diagnóstico precoce
O cirurgião-dentista também desempenha um papel importante na identificação precoce do câncer de boca. Durante consultas de rotina, é possível detectar lesões suspeitas antes mesmo do surgimento de sintomas mais evidentes.
Segundo Dr. Clineu Gaspar, manter consultas periódicas com médicos e dentistas aumenta as chances de diagnóstico precoce, permitindo tratamentos menos agressivos e maiores índices de cura.
A campanha Julho Verde reforça que abandonar o cigarro, reduzir o consumo de álcool, manter a vacinação contra o HPV em dia e procurar atendimento diante de sintomas persistentes são medidas essenciais para prevenir a doença e preservar a qualidade de vida.