Santa Clara de Assis é celebrada nesta terça-feira (11) pela Igreja Católica e também por profissionais da comunicação. A religiosa, que morreu em 1253, na Itália, viveu séculos antes da criação da televisão, mas acabou sendo reconhecida como padroeira do meio de comunicação.
A associação pode parecer curiosa. Afinal, Santa Clara viveu no século XIII, muito antes de a televisão fazer parte do cotidiano das pessoas. A relação está ligada a uma tradição sobre um episódio ocorrido durante sua vida religiosa.
Quem foi Santa Clara de Assis
Nascida em Assis, na Itália, por volta de 1193, Clara fazia parte de uma família rica e nobre. Aos 18 anos, decidiu abandonar a vida de conforto para seguir o caminho de pobreza e dedicação religiosa inspirado por São Francisco de Assis. Ela cortou os cabelos, deixou de usar as roupas nobres e passou a viver uma rotina de oração e simplicidade.
Clara também fundou a comunidade que deu origem às Clarissas, ramo feminino da família franciscana. Sua trajetória ficou marcada pela defesa da pobreza e pela dedicação à fé.
A tradição que ligou Santa Clara à televisão
A história que aproximou Santa Clara da televisão está relacionada à possibilidade de acompanhar, mesmo à distância, algo que acontecia em outro lugar.
Uma das tradições conta que, já muito doente e sem conseguir sair do quarto, Clara queria participar de uma celebração religiosa. Durante a oração, teria conseguido ouvir e acompanhar o que acontecia na igreja mesmo estando acamada.
Outra tradição relata que, após a morte de São Francisco de Assis, em 1226, Clara teria visto projetadas na parede de sua cela imagens do funeral realizado na Igreja de Santa Maria dos Anjos.
A história passou a ser associada, muitos séculos depois, à função da televisão de levar imagens e acontecimentos para dentro da casa das pessoas.
Santa Clara foi reconhecida como padroeira da televisão
A relação foi reconhecida oficialmente em 1958, quando o Papa Pio XII proclamou Santa Clara como padroeira da televisão.
A religiosa passou, então, a ser lembrada também por sua relação simbólica com a comunicação e com a possibilidade de aproximar pessoas de acontecimentos que estão distantes.
Essa associação ganhou significado especial entre profissionais da comunicação, já que a atividade de transmitir informações também pode contribuir para levar conhecimento, valores e mensagens ao público.
Uma história que atravessou séculos
Santa Clara morreu em 11 de agosto de 1253, aos 60 anos. A data passou a ser dedicada à sua memória no calendário litúrgico. Ela foi canonizada em 1255. Quase oito séculos depois, seu nome continua ligado a uma tecnologia que não existia quando ela viveu.
Santa Clara não conheceu televisão, rádio, cinema ou internet. Ainda assim, sua história acabou sendo associada à comunicação como uma forma de aproximar pessoas de acontecimentos que estão longe delas.
Da TV Tupi ao streaming
No Brasil, a televisão começou oficialmente suas transmissões em 1950, com a inauguração da TV Tupi, em São Paulo. Desde então, o meio de comunicação passou por grandes transformações. As primeiras transmissões em preto e branco deram lugar às imagens em alta definição, enquanto a televisão aberta passou a dividir espaço com o streaming, celulares e redes sociais.
Santa Clara continua sendo lembrada todos os anos em 11 de agosto, como padroeira da televisão e símbolo da comunicação como ponte entre pessoas, histórias e acontecimentos.