Empinar pipas próximo à rede elétrica deixou quase 20 mil clientes sem energia no Leste de Minas no primeiro semestre de 2026, segundo a Cemig. Entre janeiro e junho, a companhia registrou 66 ocorrências na região, com impacto para cerca de 19.253 consumidores.
Em todo o estado, foram contabilizadas 1.260 ocorrências relacionadas a pipas na rede elétrica. Os episódios interromperam o fornecimento para 313.224 clientes na área de concessão da Cemig.
Os números representam redução em relação ao mesmo período de 2025, quando Minas Gerais registrou 1.338 ocorrências e aproximadamente 398 mil clientes afetados. No Leste do estado, foram 78 interrupções, com mais de 20 mil consumidores impactados no ano passado.
Risco de curto-circuito e acidentes
De acordo com o engenheiro do Centro de Operações da Cemig, Jorge Magno, a maior parte dos casos poderia ser evitada com medidas simples. A orientação é soltar pipa apenas em locais abertos, longe de postes, fios e demais estruturas da rede elétrica.
“As pipas fazem parte da cultura e das brincadeiras de muitas crianças e adultos, mas precisam ser empinadas em locais abertos, longe da rede elétrica. Quando a linha entra em contato com os cabos de energia, pode provocar curtos-circuitos, desligamentos automáticos do sistema e até acidentes graves”, explicou.
A Cemig alerta que ninguém deve tentar retirar pipas presas em postes ou fios. A atitude pode causar acidentes graves e até fatais. A recomendação é manter distância e acionar a companhia quando houver risco envolvendo a rede.
Cerol e linha chilena ampliam o perigo
Além do risco de falta de energia, o uso de cerol e linha chilena pode provocar choques elétricos, rompimento de cabos e danos a equipamentos da rede. Esses materiais também representam perigo para motociclistas, ciclistas, pedestres e para quem solta a pipa.
Segundo a Cemig, a utilização e a comercialização de cerol e linha chilena são proibidas em Minas Gerais pela Lei Estadual nº 23.515/2019. O engenheiro Jorge Magno destacou que, ao entrar em contato com a rede elétrica, o cerol pode transformar a linha em material condutor.
“O uso de cerol e linha chilena potencializa o risco de acidentes. Além de causar interrupções no fornecimento de energia, esses materiais colocam em risco ciclistas, motociclistas, pedestres e os próprios usuários. É uma prática que deve ser evitada em qualquer situação”, afirmou.