quarta-feira, 21 de outubro de 2026

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Depois do relato de Felca, uma pergunta: onde termina a timidez e começa a fobia social? Psiquatra explica

Portal Educadora

Publicado há 48 minutos

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Entenda onde termina a timidez e começa a fobia social. Psiquiatra Letícia Kiffer explica sintomas, marcas do bullying e tratamentos

O relato do influenciador Felca sobre sua luta contra a fobia social trouxe o tema de volta à discussão. O medo de ser julgado, a dificuldade de interagir e a vontade de evitar situações cotidianas podem ser confundidos com timidez — mas, segundo a psiquiatra Letícia Kiffer, a diferença está no quanto esse medo interfere na vida da pessoa.

“Não é só uma timidez. A pessoa tem a vontade de socializar, de crescer profissionalmente, de participar de eventos, mas o medo é tão intenso que limita a pessoa de viver tudo isso”, explica Kiffer. A fobia social é caracterizada pelo medo intenso e persistente de ser observada, criticada, rejeitada ou julgada em situações sociais.

A timidez, por si só, é uma característica da personalidade. Já na fobia social, o medo pode paralisar e determinar escolhas: a pessoa deixa de participar de eventos, conversar, estudar ou avançar profissionalmente. Também podem surgir sintomas físicos, como tremores, suor, aceleração dos batimentos cardíacos e náusea.

Segundo a psiquiatra Letícia Kiffer, a diferença está na limitação da rotina. Na timidez, a pessoa sente um desconforto, mas consegue agir

Bullying pode deixar marcas

Experiências de bullying, especialmente na infância e na adolescência, podem afetar a autoestima e influenciar a forma como a pessoa enfrenta situações sociais. Quem passou por humilhações ou exclusão pode começar a esperar que as críticas se repitam, diz a psiquiatra.

A evitação pode trazer alívio momentâneo, mas também favorecer o isolamento e dificultar novas experiências. No trabalho, o medo de falar em reuniões ou apresentar uma ideia pode limitar oportunidades. Nos relacionamentos, pode levar a pessoa a evitar conversas e encontros importantes.

Tratamento é individualizado

A fobia social tem tratamento. De acordo com Kiffer, a psicoterapia ajuda a identificar gatilhos e a desenvolver estratégias para enfrentar, gradualmente, as situações que a pessoa evita. A medicação pode ser considerada por um psiquiatra, conforme os sintomas e as necessidades de cada paciente — não há uma abordagem única para todos.

A recomendação é procurar ajuda profissional quando o medo começa a interferir na rotina, nos relacionamentos, nos estudos ou no trabalho, sem esperar que o isolamento se agrave.

Familiares e amigos também podem contribuir: ouvir sem julgamentos, acolher o sofrimento e incentivar a busca por atendimento. “A pessoa precisa ser acolhida, precisa ter seus sentimentos validados”, afirma a psiquiatra. O apoio, ressalta ela, deve ajudar na retomada gradual da autonomia, e não reforçar o isolamento.

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