O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após o registro de 42 eventos adversos considerados graves e duas mortes que estão sob investigação para apurar possível relação com a vacina.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a medida tem caráter preventivo e permanecerá em vigor enquanto os casos são analisados pelas autoridades sanitárias. Até o momento, cerca de 500 mil doses do imunizante já haviam sido aplicadas no país.
Vacina começou a ser aplicada neste ano
A vacina Butantan-DV foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no fim de 2025 e passou a integrar a estratégia nacional de combate à dengue em 2026. O imunizante é considerado a primeira vacina de dose única contra a doença desenvolvida no mundo e vinha sendo distribuído exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O Ministério da Saúde havia iniciado a aplicação do imunizante em projetos-piloto e grupos prioritários, com previsão de expansão gradual da vacinação para outras regiões do país.
Casos seguem sob investigação
De acordo com o balanço apresentado pelo governo federal, os 42 episódios registrados envolveram reações severas após a vacinação. Entre os casos analisados, duas mortes estão sendo investigadas para verificar se existe relação direta com o imunizante. Até o momento, não há confirmação de nexo causal entre a vacina e os óbitos.
As autoridades de saúde destacam que a suspensão não significa necessariamente que os eventos tenham sido provocados pela vacina, mas segue protocolos de segurança adotados internacionalmente para avaliação de novos imunizantes.
Ministério avaliará próximos passos
O Ministério da Saúde informou que novas orientações serão divulgadas após a conclusão das análises técnicas. Enquanto isso, a vacinação com a Butantan-DV permanece interrompida em todo o país.
A dengue continua sendo uma das principais preocupações de saúde pública no Brasil, especialmente em estados que registram elevados índices da doença durante os períodos mais quentes e chuvosos do ano.