Influenciador é preso após vídeo-denúncia por crimes sexuais contra menores no Vale do Aço

A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu preventivamente, em Ipatinga, um influenciador digital e fotógrafo de 30 anos, investigado por uma série de crimes contra a dignidade sexual de adolescentes no Vale do Aço. Os detalhes da prisão e do andamento das investigações foram apresentados em uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira (27) pela Delegada Regional, Talita Martins Soares, e pela Delegada de Polícia, Izabella Menegassi Dutra Santana.

O caso, que já havia ganhado repercussão após a divulgação de um vídeo-denúncia nas redes sociais e divulgado pela Rede Educadora, revelou um padrão de aliciamento e exploração que, segundo as investigações, pode ter feito dezenas de vítimas na região. A prisão do suspeito ocorreu após a formalização das denúncias, que foram impulsionadas pela coragem das vítimas em expor os abusos.

O início das investigações e o papel das redes sociais

De acordo com a Delegada Regional Talita Martins Soares, a Polícia Civil tomou conhecimento dos fatos no dia 22 de fevereiro, após a ampla circulação de vídeos nas redes sociais. Imediatamente, foram instaurados procedimentos para apurar as denúncias.

“Vítimas foram à delegacia e formalizaram as denúncias após esses vídeos circularem na internet”, explicou a delegada.Até o momento, a investigação envolve três delegacias da regional, com um total de 15 vítimas identificadas: uma em Ipatinga, em um caso que teria ocorrido há sete anos, três em Timóteo e onze em Coronel Fabriciano. A polícia acredita que, com a prisão do autor, mais vítimas se sentirão seguras para procurar as autoridades e formalizar suas denúncias.

“A polícia civil pede que as vítimas sempre formalizem a denúncia. Não adianta expor em rede social se não formalizar a denúncia na delegacia para que a gente consiga realmente conseguir as provas, apurar a autoria e concluir as investigações”, ressaltou a Delegada Talita.

A Delegada Regional Talita Martins Soares aproveitou a coletiva para alertar sobre um caso anterior que ilustra a importância da formalização de denúncias nas delegacias. Em 2024, a Polícia Civil de Coronel Fabriciano havia recebido a notícia de um crime e instaurado um procedimento investigativo. Havia duas supostas vítimas, mas elas não procuraram a delegacia e não foram localizadas para serem ouvidas. Na época, a polícia não conseguiu identificar a autoria dos crimes. Agora, analisando o modus operandi do investigado preso hoje, as autoridades acreditam que ele também é o autor desses fatos anteriores de 2024.

“Se as vítimas tivessem formalizado essa denúncia à época dos fatos, na delegacia, as investigações tivessem sido concluídas, hoje a gente teria um número muito menor de vítimas”, ressaltou a delegada, enfatizando que a formalização de denúncias é crucial para que a polícia consiga reunir provas, apurar a autoria e concluir as investigações com efetividade.

Modus operandi: promessas, aliciamento e ameaças

A Delegada Izabella Menegassi Dutra Santana, responsável direta pela investigação que culminou no pedido de prisão, detalhou o modus operandi do suspeito. Ele abordava as adolescentes pelas redes sociais, prometendo sucesso e divulgação de seus trabalhos como modelos.

O processo começava com fotos casuais e profissionais, mas rapidamente evoluía para um aliciamento, onde o fotógrafo convencia as jovens a posarem para fotos de cunho sensual e, posteriormente, as coagia a praticar atos sexuais. A delegada revelou que o investigado não agia sozinho.

“A gente tem notícias de outros homens que praticavam os atos sexuais com esses adolescentes, em conjunto com ele nessas cenas sexuais. A identificação ainda vai ser feita e, com certeza, o próximo passo vai ser a identificação de todos”, afirmou a Delegada Izabella.

Para garantir o silêncio e a submissão das vítimas, o influenciador utilizava de ameaças e extorsão, afirmando que divulgaria as imagens íntimas caso elas não cedessem às suas vontades. Além disso, ele proibia a presença dos pais ou responsáveis durante as sessões de fotos, isolando as adolescentes e aumentando sua vulnerabilidade.

Prisão e próximos passos

O influenciador se apresentou à polícia acompanhado de sua advogada e não resistiu à prisão. Durante o depoimento, ele optou por permanecer em silêncio. A investigação agora entra em uma nova fase, com a análise de materiais apreendidos e a busca pela identificação de outros envolvidos. A polícia não descarta a possibilidade de o caso ser o início da descoberta de uma rede maior de exploração sexual.

As delegadas reforçam o apelo para que outras possíveis vítimas procurem a delegacia mais próxima para que a justiça seja feita e para que a dimensão completa dos crimes cometidos pelo autor seja revelada.