terça-feira, 11 de agosto de 2026

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Mortalidade materna: especialista explica os sinais de alerta que podem salvar vidas na gravidez e no pós-parto

Portal Educadora

Publicado há 2 horas

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Especialista da SOGIMIG explica como reconhecer sinais de alerta na gravidez e no pós-parto para prevenir mortes maternas evitáveis no Brasil. foto ilustrativa

A morte de uma mulher durante a gestação, no parto ou no pós-parto ainda é um dos principais desafios da saúde pública no Brasil. Segundo os últimos dados oficiais do Ministério da Saúde, referentes a 2024, o país registra razão de mortalidade materna de 56,4 mortes a cada 100 mil nascidos vivos. O número evidencia a distância em relação à meta brasileira dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que prevê reduzir esse indicador para, no máximo, 30 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030. Para alcançar esse patamar, o Brasil precisará reduzir a mortalidade materna em aproximadamente 47%.

Segundo a médica ginecologista e integrante da diretoria da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (SOGIMIG), Ana Christina de Lacerda Lobato, muitas complicações graves podem ser evitadas quando há acompanhamento adequado, identificação precoce dos riscos e atendimento oportuno durante a gestação, o parto e o puerpério.

“Apesar dos avanços, a mortalidade materna ainda precisa ser tratada como prioridade. Muitas complicações podem ser prevenidas ou controladas quando há pré-natal qualificado, reconhecimento rápido dos sinais de alerta e assistência adequada no parto e no pós-parto”, explica.

Entre as principais causas de preocupação estão as hemorragias obstétricas, os distúrbios hipertensivos, as infecções, as complicações do aborto e doenças preexistentes agravadas pela gestação. A especialista ressalta que o cuidado não deve terminar com o nascimento do bebê, já que parte importante das complicações pode ocorrer no período puerperal.

Pré-natal além dos exames

Na prática, uma consulta de pré-natal bem feita não se limita à solicitação de exames ou ao preenchimento de registros no prontuário. O acompanhamento identifica fatores de risco, monitora a evolução da gestação, orienta a mulher sobre os sinais de alerta e garante encaminhamento rápido quando necessário.

“Uma consulta apenas protocolar pode deixar passar situações importantes. O pré-natal deve olhar para a mulher de forma integral, acompanhar sua evolução e permitir agir antes que uma complicação se agrave”, destaca Ana Christina.

A médica destaca que os distúrbios hipertensivos estão entre as complicações mais graves da gestação. A pressão alta pode surgir durante a gravidez ou estar relacionada a uma condição preexistente, exigindo acompanhamento mais cuidadoso.

Entre os sinais que podem indicar pré-eclâmpsia ou outro quadro hipertensivo grave estão dor de cabeça intensa e persistente, visão embaçada ou com pontos luminosos, dor forte na parte superior do abdômen, inchaço súbito no rosto, nas mãos ou nas pernas, falta de ar, redução da quantidade de urina e elevação da pressão arterial.

“A pré-eclâmpsia pode evoluir rapidamente para quadros graves. Por isso, reconhecer sinais de alerta e procurar atendimento imediatamente é fundamental para reduzir riscos para a mãe e o bebê”, orienta.

As infecções urinárias e genitais, muitas vezes vistas como simples, também precisam ser investigadas e tratadas corretamente durante a gestação. Em alguns casos, podem evoluir para pielonefrite, sepse materna, parto prematuro, ruptura prematura das membranas e baixo peso ao nascer.

A especialista lembra que algumas infecções urinárias podem ser assintomáticas. “Identificar e tratar precocemente infecções reduz complicações para a mãe e para o bebê. Mesmo quando não há sintomas evidentes, o acompanhamento regular permite fazer esse controle”, afirma.

Quando procurar atendimento imediatamente?

Durante a gravidez, alguns sintomas não devem esperar a próxima consulta. A gestante deve procurar atendimento imediatamente diante de:

  • sangramento vaginal;
  • perda de líquido pela vagina;
  • febre;
  • dor de cabeça forte e persistente;
  • alterações visuais;
  • inchaço súbito;
  • falta de ar;
  • convulsões;
  • diminuição ou ausência dos movimentos do bebê;
  • contrações antes de 37 semanas.

Esses sinais podem indicar complicações como hemorragias, infecções, pré-eclâmpsia ou trabalho de parto prematuro. “Na dúvida, a gestante deve procurar atendimento. É melhor avaliar e descartar uma complicação do que perder o tempo adequado de intervenção”, reforça a médica.

A especialista acrescenta que todo sangramento durante a gestação deve ser avaliado por um profissional de saúde. Embora nem sempre indique um quadro grave, ele pode estar relacionado a situações como abortamento, gravidez ectópica, descolamento prematuro da placenta ou placenta prévia.

Atenção no pós-parto

No pós-parto, a atenção também deve ser redobrada. Sangramento intenso, eliminação de coágulos, palidez, tontura, desmaio, dor abdominal forte ou queda de pressão podem indicar hemorragia pós-parto, uma emergência obstétrica.

“A avaliação objetiva do sangramento nas primeiras horas após o parto permite agir rapidamente, com medidas preventivas e terapêuticas, reduzindo o risco de complicações graves”, explica Ana Christina.

Para a médica, um dos erros mais comuns é concentrar toda a atenção no bebê e deixar a mulher em segundo plano após o nascimento. “A assistência não acaba quando o bebê nasce. O puerpério é um período de risco e precisa de vigilância, orientação e acesso ao serviço de saúde”, afirma.

Parto: decisão individualizada

A cesariana pode salvar vidas quando bem indicada. No entanto, a decisão sobre a via de parto deve considerar as condições clínicas, os riscos e os benefícios de cada situação.

O diálogo entre médico e paciente é essencial para que a mulher compreenda as indicações da cesariana, os benefícios do parto vaginal quando não há contraindicações e os riscos envolvidos em qualquer procedimento.

“A decisão deve ser compartilhada, com informação clara e avaliação individualizada. Isso fortalece a autonomia da paciente e contribui para uma assistência mais segura e humanizada”, destaca.

Por fim, a médica afirma que a família também tem papel importante em todos esses momentos. “A rede de apoio deve conhecer os sinais de alerta, ajudar a mulher a buscar atendimento quando necessário e entender que o cuidado continua depois do parto”, conclui.

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