O dia 2 de julho é celebrado em todo o Brasil como o Dia Nacional do Bombeiro Militar. A data foi instituída em 1954 por decreto-lei em homenagem à criação do Corpo Provisório da Corte, fundado em 2 de julho de 1856, na cidade do Rio de Janeiro, pelo imperador Dom Pedro II — patrono dos corpos de bombeiros do país. Para marcar a data, militares do Vale do Aço falaram sobre a evolução da corporação, os desafios do cotidiano e as ocorrências que deixaram marca em suas histórias.
Avanços tecnológicos e saúde mental
O capitão Leonardo Schirm, do 11º Batalhão de Bombeiros Militar de Ipatinga, em entrevista à repórter Mônica Soares, destacou que a corporação passou por profundas transformações ao longo dos anos. “Os avanços tecnológicos trazem novos desafios no atendimento de ocorrências — como os carros elétricos, que demandam constante aprendizado — mas, da mesma forma, proporcionam novas viaturas, novos equipamentos e novas técnicas de salvamento”, afirmou.
Schirm ressaltou também a preocupação da corporação com a saúde física e mental dos militares. “A atividade bombeiro militar é muito específica e apresenta grandes riscos. Os militares são constantemente submetidos a acompanhamento médico e psicológico, tanto de forma interna quanto externa”, explicou. Segundo ele, a gestão eficiente do pessoal e os treinamentos contínuos têm mantido o Corpo de Bombeiros entre as instituições mais bem avaliadas pela população.
“O amigo certo nas horas incertas”
Já o 3º Sargento Anderson, do 5º Pelotão de Coronel Fabriciano, apontou a falta de efetivo e o crescimento do trânsito como os principais desafios do dia a dia. “Ainda vemos uma grande deficiência para suprir a necessidade de uma resposta mais eficiente para a população”, disse. Ao mesmo tempo, reconheceu melhorias significativas nas condições de trabalho, com investimentos em quartéis, viaturas e cursos de especialização.
Ao ser questionado sobre a ocorrência que mais o marcou, Anderson foi direto: Brumadinho. “Sem sombra de dúvida, todo bombeiro que atuou naquela tragédia de 2019 — que nós tivemos 272 vidas perdidas, que nós chamamos de joias, em respeito aos familiares e à memória daqueles que partiram — ficou marcado para sempre”, relatou. Para ele, a tragédia impulsionou a corporação a crescer e a se preparar ainda mais para grandes sinistros. “O bombeiro é o amigo certo nas horas incertas”, concluiu.