Oito anos após o crime, o acusado finalmente se sentou no banco dos réus. Orozimo de Moura Leal foi condenado a 23 anos de prisão pela morte do enteado, Ivan Ignácio Vieira da Silva, de 28 anos. O júri popular foi realizado nesta terça-feira (14) no Fórum da Comarca de Coronel Fabriciano.
O advogado Dr. Thiago Xingó, que atuou como assistente de acusação no processo, celebrou o resultado. “A acusação sai plenamente satisfeita do julgamento. Os jurados acataram todas as teses da acusação, com as duas qualificadoras: recurso que impossibilitou a defesa da vítima e motivo fútil. A tese de legítima defesa, levantada pela defesa, foi devidamente combatida e não foi acatada”, afirmou.
Para o advogado, a pena de 23 anos é proporcional à gravidade do crime. “É uma pena devidamente dosada e proporcional à conduta que foi praticada”, disse. Ainda assim, Xingó destacou que a vitória jurídica não apaga a dor da perda. “Ganhamos na Justiça, mas o sentimento ainda é de tristeza, porque a vida de um pai de família foi ceifada. Cinco filhos não tiveram pai presente. A justiça dos homens foi aplicada, mas a vítima não vai voltar.”
Relembre o caso
No dia 31 de maio de 2018, um desentendimento entre familiares terminou em morte em Coronel Fabriciano. Ivan Ignácio Vieira da Silva, de 38 anos, foi atingido por um disparo de arma de fogo efetuado pelo padrasto, Orosimo de Moura Leal, de 56 anos. A vítima chegou a ser socorrida e internada no Hospital José Maria de Morais, mas morreu na manhã de 1º de junho de 2018.
De acordo com as investigações, a família participava de uma confraternização em um sítio localizado no distrito de Cachoeira do Vale, em Timóteo, quando ocorreu uma discussão entre padrasto e enteado. Após o desentendimento, Orosimo deixou o local antes dos demais familiares e seguiu para a residência da família, situada na Rua Marechal Floriano, no bairro Nossa Senhora do Carmo, em Coronel Fabriciano, onde aguardou a chegada de Ivan.
Ao chegar ao imóvel, Ivan foi surpreendido por um disparo de espingarda calibre 32, que o atingiu no peito. Em seu depoimento, Orosimo afirmou que, mesmo ferido, o enteado teria tentado agredi-lo. Segundo sua versão, ele reagiu desferindo uma coronhada no pescoço da vítima. Ivan caiu no chão, recebeu os primeiros socorros dos familiares e foi encaminhado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.
Confissão
Após o ocorrido, Orosimo de Moura Leal compareceu espontaneamente ao 58º Batalhão da Polícia Militar, entregou a espingarda utilizada no crime e confessou ter efetuado o disparo. Durante a apuração, os policiais constataram que o registro da arma estava vencido desde 2016. O suspeito foi preso em flagrante, inicialmente por tentativa de homicídio. Com a confirmação da morte da vítima, a acusação passou a ser de homicídio consumado.
Família presenciou o crime
Ivan Ignácio Vieira da Silva era filho de Jovita Maria das Graças Silva, conhecida na cidade como “Jovita do Cartório”, por atuar no cartório de registros da comarca de Coronel Fabriciano. A mãe da vítima presenciou o crime, assim como a esposa e as filhas de Ivan. Em depoimento à Polícia Militar, a companheira relatou que Orosimo aguardava a chegada do enteado e, antes de atirar, teria afirmado: “Agora vamos ver quem é homem.”
As investigações também reuniram imagens de uma câmera de segurança que mostram Orosimo amolando uma faca pouco antes da chegada de Ivan. Posteriormente, os policiais localizaram a faca sobre um cofre, na garagem da residência. Tanto a arma branca quanto a espingarda calibre 32 foram apreendidas e encaminhadas à Polícia Civil para os procedimentos periciais.