A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) confirmou, na noite desta sexta-feira (9), a morte dos três tripulantes da aeronave Pegasus 17, que caiu em uma área próxima à cabeceira da pista do Aeroporto Regional do Vale do Aço, em Santana do Paraíso. As vítimas são o tenente-coronel Luis Silvestre, de 49 anos, e as primeiras-tenentes Gabriela Emília Soares Lacerda Resende e Alice Almeida, ambas na faixa dos 33 aos 34 anos.
Em coletiva à imprensa, o coronel Flávio Santiago, diretor de Comunicação Organizacional da PMMG, informou que o avião cumpria um voo de rechecagem de habilitação. A missão saiu de Belo Horizonte com destino a Ipatinga e previa o retorno à capital. Segundo ele, não havia transporte de órgãos no momento do acidente.
A aeronave teria saído do hangar da corporação entre 15h e 16h. Por volta das 16h15, o Corpo de Bombeiros foi acionado para a ocorrência aeronáutica. As equipes encontraram um cenário grave, sem possibilidade de sobrevivência dos tripulantes, conforme relatou o porta-voz da PMMG.
Voo era de rechecagem anual
De acordo com Flávio Santiago, o voo de rechecagem é um procedimento necessário para renovar e confirmar a habilitação de pilotos. A atividade inclui testes, manobras e itinerários previamente definidos, para avaliar a capacidade da equipe de operar em diferentes condições.
O tenente-coronel Silvestre conduzia a rechecagem e, segundo o coronel, era o instrutor mais experiente da corporação, com mais de 5 mil horas de voo. As tenentes Emília e Alice tinham, em média, mais de 300 horas de voo cada uma.
O diretor de Comunicação Organizacional afirmou que a Pegasus 17 havia passado por um processo de retrofitagem, com manutenção e atualização de equipamentos. Segundo ele, a aeronave, a documentação técnica e as habilitações dos pilotos estavam regulares, de acordo com os controles da instituição.
Apesar disso, Flávio Santiago ressaltou que ainda é cedo para apontar qualquer hipótese para o acidente. Ele disse que informações sobre uma eventual comunicação de emergência, se a aeronave decolava ou aterrissava e outros detalhes técnicos dependerão da investigação.
Cenipa vai apurar causas da queda
O Cenipa, órgão da Aeronáutica responsável pela investigação de acidentes aeronáuticos, foi acionado para os procedimentos técnicos. Peritos da Polícia Civil e equipes da Aeronáutica também atuam no local, segundo a PMMG.
“Não adianta elucubrarmos e tentarmos qualquer explicação neste momento”, afirmou Flávio Santiago ao ser questionado sobre a causa da queda. “Acidentes aeronáuticos precisam de muita calma agora para que a motivação seja delineada pelo processo investigatório”, acrescentou.
Três militares e famílias em acolhimento
O coronel informou que o tenente-coronel Silvestre tinha 49 anos e deixa esposa e três filhos. A tenente Emília havia retornado recentemente da licença-maternidade e deixa dois filhos. A tenente Alice não tinha filhos. Conforme a PMMG, Emília e Alice tinham entre 33 e 34 anos.
A corporação informou ainda que as famílias foram comunicadas e recebem acolhimento psicológico por meio da Diretoria de Proteção Social da PMMG. Silvestre e Emília eram de Belo Horizonte, enquanto Alice era do Sul de Minas, segundo o porta-voz.
Durante a coletiva, Flávio Santiago se emocionou ao falar das vítimas e interrompeu a fala em alguns momentos. “Perdemos três asas indomáveis, pessoas que faziam um trabalho importantíssimo”, declarou. Ao encerrar, pediu desculpas pela emoção: “São 29 anos de corporação, 11 na comunicação, mas esta é a coletiva mais difícil para mim”.
Missões policiais e transporte de órgãos
As aeronaves da PMMG atuam no apoio ao policiamento em terra, no deslocamento de equipes especializadas, em operações de salvamento e em missões de transporte de órgãos e pacientes. O coronel citou a atuação da aviação da corporação em situações como os desastres de Brumadinho e Mariana e durante a pandemia de covid-19.
Ele também lembrou que a estrutura aérea é utilizada para levar tropas especializadas, como equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), além de apoiar transplantes. Segundo Flávio Santiago, mais de 2 mil transplantes já contaram com a participação da aviação da PMMG, e o tenente-coronel Silvestre esteve envolvido em parte dessas missões.
A ocorrência segue sob investigação. A PMMG informou que novos dados serão divulgados à medida que forem confirmados pelos órgãos responsáveis.