Polícia Federal detalha operação que apreendeu medicamentos ilegais no Vale do Aço

A Polícia Federal deflagrou nesta semana a Operação Sanitas. O objetivo principal da ação é combater o comércio ilegal, a importação e a fabricação clandestina de medicamentos para emagrecimento. Esses produtos são popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”. A operação cumpriu mandados na região do Vale do Aço e resultou em prisões, incluindo o marido de uma influenciadora digital, e apreensões de substâncias proibidas.

A investigação teve início a partir de inúmeras denúncias anônimas. As informações apontavam para a venda ilegal de substâncias proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo o delegado Helton Sacramento, a operação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão. Além disso, foram executados dois mandados de prisão temporária e aplicadas medidas cautelares.

“Foram cumpridos, na região do Vale do Aço, quatro mandatos de busca, deveres cautelares, dois mandatos de prisão temporária, proibição de uso de redes sociais, inclusive redes, páginas gêmeas, páginas análogas para ela migrar para outra página e telemáticos, quebra de sigilo telemático”, detalhou Sacramento.

O modus operandi do grupo criminoso

As investigações revelaram que o grupo criminoso utilizava as redes sociais de forma intensa. Eles atraíam seguidores e os induziam a procurar os investigados para a compra dos produtos. A organização era dividida em tarefas específicas. Enquanto alguns membros faziam a negociação, outros eram responsáveis pela entrega e pelo armazenamento das substâncias.

Durante a deflagração da operação, a Polícia Federal apreendeu substâncias ilegais na residência de dois alvos. Essa ação configurou o flagrante delito. Como resultado, três pessoas foram conduzidas imediatamente pelas autoridades.

O nome da operação, “Sanitas”, faz uma referência direta ao bem-estar e à saúde pública. “É o que a gente precisa combater, que se a própria, o órgão regulador fiscaliza esse produto para proibição de entrada, é que ele não tem essa capacidade comprovada do efeito da medicação dos que são aprovados”, explicou o delegado Sacramento.

De acordo com as investigações, grande parte desses medicamentos introduzidos ilegalmente no Brasil tem origem no Paraguai. Outro problema grave apontado pela Polícia Federal é a venda indiscriminada por meio da internet. A propaganda e a comercialização desses produtos online, especialmente sem a exigência de receita médica, são práticas totalmente vedadas pela legislação brasileira.

Riscos graves à saúde pública

O delegado Alexandre Teixeira ressaltou a gravidade dos crimes investigados. Ele destacou que a operação visa combater associações criminosas que falsificam, contrabandeiam e manipulam indevidamente substâncias. Entre os compostos citados estão a tirzepatida e a semaglutida.

“Os produtos contrabandeados, ou seja, aqueles cuja comercialização é proibida no Brasil, é proibida em todo o território nacional, esses produtos trazem sérios riscos para a população”, alertou Teixeira.

O delegado explicou que, embora existam medicamentos vendidos legalmente no país, como o Mounjaro, as substâncias apreendidas não possuem registro. Elas não passam por nenhum tipo de controle ou fiscalização da Anvisa. Isso constitui o crime de contrabando e coloca a vida dos consumidores em risco iminente.

“Dessa forma, se não há esse controle, a gente não dá para saber nem o que está ali na embalagem, se aquela substância realmente corresponde ao que foi anunciado, e se ela sendo verdadeira, se aquela substância não está contaminada por causa de um processo de fabricação irregular”, enfatizou Teixeira.