terça-feira, 18 de agosto de 2026

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“SAF é o presente”: Sérgio Santos Rodrigues fala sobre Ipatinga, investimentos e futuro dos clubes

Portal Educadora

Publicado há 16 horas

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Sérgio Santos Rodrigues analisa SAFs, fala sobre Ipatinga e Uberlândia, defende investimentos no futebol e comenta as bets

As Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) já fazem parte da realidade do futebol brasileiro. A avaliação é de Sérgio Santos Rodrigues, ex-presidente do Cruzeiro e diretor de futebol, em entrevista à Rede Educadora de Comunicação. Durante o bate-papo, ele falou sobre uma tentativa de aproximação com o Ipatinga, a estruturação da SAF do Uberlândia e os desafios de gestão dos clubes.

“SAF é o presente no futebol”, afirmou Rodrigues. Para ele, o modelo empresarial amplia a responsabilização de quem controla a gestão, mas não elimina, por si só, os riscos de uma administração ruim. “A gente vai ter SAF ruim e SAF boa, associação ruim e associação boa”, disse.

Conversas com o Ipatinga não avançaram

Ao comentar a relação com o Ipatinga, Rodrigues disse que a aproximação não se consolidou. Segundo ele, a proposta era colaborar na organização administrativa e na busca de parceiros, sem interferência direta na montagem do elenco ou nas decisões do departamento de futebol.

“Eu topo vir num projeto de gestão ajudar vocês, e não de futebol”, declarou. Ele afirmou que chegou a participar do conselho de administração do clube e que buscou alternativas para viabilizar atletas sem custos de transferência.

O avanço do projeto, porém, dependia da regularização do Transfer Ban, punição que impede o registro de novos jogadores. De acordo com Rodrigues, não houve entendimento entre os sócios para quitar a pendência dentro do prazo. “Na hora que isso tudo aconteceu, até efetivar, o time já estava praticamente rebaixado de novo, jogando com seis, sete jogadores”, relatou.

O ex-presidente do Cruzeiro ressaltou que a participação no projeto não incluía promessa de aporte para pagamento da dívida. “Queremos viabilizar projetos e monetização para o clube, mas a gente não está vindo aqui prometendo dinheiro para esse problema”, afirmou. Apesar do impasse, ele disse continuar à disposição para ajudar o Ipatinga.

Ipatinga e Uberlândia como oportunidades

Na avaliação de Rodrigues, Ipatinga e Uberlândia reúnem características favoráveis para receber investimentos no futebol mineiro. Ele citou a estrutura das cidades, a relevância econômica regional, os estádios e o vínculo dos clubes com os próprios municípios.

“As duas maiores oportunidades de Minas Gerais que a gente tem, na minha opinião, são sempre aqui Ipatinga e Uberlândia”, afirmou. Sobre o clube do Triângulo Mineiro, Rodrigues disse que participou da constituição da SAF, da assembleia de criação e da intermediação da venda para o empresário Fábio Mineiro.

Ele também defendeu que o investimento é decisivo para resultados esportivos. “Futebol sem investimento é muito difícil”, resumiu. Ao tratar do Uberlândia, citou uma estimativa de orçamento superior a R$ 100 milhões para a Série C, valor que, segundo ele, foi informado pelo próprio investidor e não teve período detalhado na entrevista.

Gestão, fair play financeiro e bets

Rodrigues apontou ainda a tendência de expansão do modelo de Multi-Club Ownership (MCO), no qual um mesmo grupo controla ou participa de mais de um clube. Ele acredita que, no futuro, equipes brasileiras poderão chegar ao mercado de capitais. “Daqui a pouco nós vamos viver uma era até de IPO de clube na Bolsa de Valores. Acho que vai ser uma realidade em breve”, declarou.

Na entrevista, o dirigente também defendeu mecanismos de fair play financeiro. Segundo ele, limites de gastos e punições para clubes inadimplentes podem contribuir para uma gestão mais equilibrada. “O clube tem um teto de gasto, não pode gastar mais; se não pagar suas dívidas, fica proibido de contratar, de jogar, com punições mais severas”, afirmou.

Ao comentar as casas de apostas, Rodrigues se declarou favorável à atividade com fiscalização. Para ele, o setor pode gerar renda e empregos, desde que tenha mecanismos de controle e prevenção ao vício. “A bet trouxe dinheiro para o futebol, mas precisa ser fiscalizada”, disse. Ele afirmou ainda que o principal problema está na atuação de plataformas ilegais.

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