quarta-feira, 12 de agosto de 2026

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Saiba quem é o padre paulista excomungado por desafiar doutrina do Vaticano

Portal Educadora

Publicado há 5 horas

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Padre Rodrigo de Oliveira Silva, de Jundiaí, foi excomungado após aderir à Fraternidade São Pio X, grupo em ruptura com o Vaticano

A Diocese de Jundiaí, no interior de São Paulo, anunciou a excomunhão do padre Rodrigo de Oliveira Silva após o sacerdote aderir formalmente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). A entidade é um grupo tradicionalista cuja relação com o Vaticano é marcada por conflitos e divergências doutrinárias.

O bispo diocesano, Dom Arnaldo Carvalheiro Neto, comunicou a decisão em nota oficial. Segundo ele, a adesão do padre à fraternidade o coloca em situação de cisma e, consequentemente, de excomunhão, conforme determinações da Santa Sé.

“O Rev.mo. Pe. Rodrigo de Oliveira da Silva, por sua adesão à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, encontra-se, em razão dos atos acima referidos, em situação de cisma e de excomunhão”, afirmou o bispo.

Diocese considera atos ilícitos

De acordo com a Diocese de Jundiaí, os atos do ministério sacerdotal de Rodrigo passam a ser considerados ilícitos. A instituição também informou que alguns sacramentos realizados pelo padre não têm validade.

“No que tange aos Sacramentos da Penitência e do Matrimônio, tanto a absolvição sacramental por ele concedida quanto os casamentos por ele assistidos carecem de validade e são nulos”, declarou Dom Arnaldo.

Quem é o padre Rodrigo de Oliveira Silva

Natural de Cajamar, no interior paulista, Rodrigo de Oliveira Silva estudou no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Desterro. Ele concluiu a formação em Filosofia e Teologia em 2009, foi ordenado diácono em 2010 e recebeu a ordenação sacerdotal no ano seguinte.

Antes do desligamento, exercia a função de pároco da Paróquia Santo Antônio. O sacerdote havia solicitado afastamento da Diocese de Jundiaí em fevereiro deste ano.

O que é a Fraternidade São Pio X

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, um dos principais críticos das mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965.

O grupo defende uma interpretação ultratradicionalista da doutrina católica e mantém a chamada missa tridentina, celebrada conforme o rito anterior às reformas litúrgicas do Concílio. Nessas celebrações, a liturgia é realizada em latim e o sacerdote, tradicionalmente, fica voltado para o altar.

A FSSPX também diverge de orientações ligadas à liturgia, ao ecumenismo e à relação da Igreja com o mundo contemporâneo. A organização, porém, rejeita a classificação de que esteja em situação de cisma.

Relação com o Vaticano

Segundo o texto divulgado pela própria fraternidade, uma consagração episcopal sem autorização da Santa Sé não representaria, necessariamente, rompimento da comunhão com a Igreja quando não houver intenção cismática ou concessão de jurisdição.

O Vaticano, por outro lado, considera cismáticos atos ligados à nomeação de bispos sem autorização papal. Para o retorno de integrantes da FSSPX à plena comunhão com a Igreja, a Santa Sé estabelece condições como a aceitação formal do Concílio Vaticano II e a submissão à autoridade do papa.

O conflito entre Roma e os seguidores de Lefebvre se arrasta desde a década de 1980. Em 1988, o então papa João Paulo II declarou que a ordenação de quatro bispos sem autorização constituía um ato cismático, o que levou à excomunhão dos envolvidos.

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