Durante a inauguração do Posto Avançado de Coleta Externa (PACE) em Coronel Fabriciano nesta segunda-feira (1), o secretário de Estado de Saúde, Fábio Bacheretti, abordou temas cruciais para a saúde pública mineira. O evento, que marcou a entrega da 21ª unidade do tipo no estado, serviu de palco para esclarecimentos sobre a polêmica transição do sistema SUS Fácil para o novo modelo de regulação, o CORE-MG. Bacheretti respondeu diretamente às críticas de municípios como Ipatinga, que enfrentaram dificuldades significativas na implementação do novo sistema.
Ipatinga enfrenta dificuldades com novo sistema de regulação
A administração municipal de Ipatinga foi uma das afetadas pela mudança abrupta no modelo estadual de regulação. A Prefeitura de Ipatinga relatou impactos diretos na população, especialmente nas unidades de urgência e emergência do município. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) enfrentou cenário crítico de superlotação, agravado pelo aumento dos casos de síndromes respiratórias e pelas dificuldades operacionais relacionadas às transferências hospitalares durante a implantação do novo sistema estadual.
Segundo a administração municipal, a transição ocorreu de forma abrupta, sem o devido planejamento e diálogo com os gestores locais. A prefeitura manteve diálogo constante com o Estado, cobrando agilidade, responsabilidade e medidas efetivas para minimizar os impactos no atendimento à população. Mesmo diante das dificuldades, as equipes da Secretaria Municipal de Saúde seguem mobilizadas, com plano de contingência em execução.
Bacheretti nega suspensão do CORE-MG
Questionado especificamente sobre os problemas enfrentados por Ipatinga e a nota da Associação Mineira de Municípios (AMM) que falava sobre a suspensão do sistema, o secretário foi enfático em sua resposta. “Não, na verdade, o CORE não foi suspenso em nenhum momento”, afirmou Bacheretti. Ele explicou que houve uma decisão judicial, mas o presidente do Tribunal de Justiça definiu que “o judiciário não é responsável pelas políticas públicas”, garantindo a continuidade do novo modelo.
Bacheretti reforçou que a decisão que tentava suspender o sistema já foi vencida. “Não há nenhuma decisão de retrocesso, ela já foi vencida e nunca entrou em ação”, afirmou o secretário. Ele ressaltou que o governo possui “um sistema robusto, junto com a nova forma de regulação”.
Diálogo com a AMM e apoio ao novo sistema
O secretário informou que conversou com o presidente Lucas Vieira, da AMM, e que ambos planejam realizar um webinário para esclarecer a população sobre o novo sistema. Segundo Bacheretti, “a AMM está nos apoiando em relação ao novo sistema”. Essa iniciativa busca reduzir as incertezas e os questionamentos sobre o CORE-MG que têm circulado entre os gestores municipais.
CORE-MG regula o dobro de pacientes com transparência total
Um dos pontos centrais da defesa do secretário foi a transparência proporcionada pelo novo sistema. Bacheretti apresentou dados concretos sobre a capacidade operacional do CORE-MG. “Antigamente no SUS Fácil a gente regulava 2.500 pessoas por dia. Hoje são 5 mil pessoas”, explicou o secretário.
O secretário questionou o desaparecimento das outras 2.500 regulações: “Onde estavam essas outras 2.500? Estavam sendo reguladas, a gente fala, debaixo dos panos. Não aparecia no sistema”. Bacheretti enfatizou que “o sistema CORE é um sistema que demonstra transparente em cada processo”, contrastando com o modelo anterior que ocultava parte significativa das regulações.
Rebate críticas sobre superlotação nas UPAs
O secretário também respondeu às críticas de que o CORE-MG seria o responsável pela superlotação das Unidades de Pronto Atendimento. “Muitos prefeitos estão falando que os problemas das UPAs de sublotação estão no CORE, mas esquecem que antes do CORE as UPAs estavam cheias”, afirmou Bacheretti.
Segundo o secretário, há aproveitamento político da situação. “Tem muita gente aproveitando para colocar a culpa no novo sistema de regulação, mas é um oportunismo em dizer que um sistema é culpado pelas, muitas vezes, a dificuldade de gestão, de ter pacientes que não deveriam estar no hospital, internação indevida”, argumentou Bacheretti.
CORE-MG substitui Susfácil
A implementação do CORE-MG, que substituiu o SUS Fácil após 20 anos de uso, gerou controvérsias desde o seu início em maio de 2026. A Associação Mineira de Municípios (AMM) e diversos prefeitos, incluindo a administração de Ipatinga, relataram instabilidades, dificuldades operacionais e problemas no direcionamento de pacientes. As queixas levaram a uma intervenção do Ministério Público e a uma liminar judicial que determinava a suspensão do novo sistema, gerando um clima de incerteza na gestão da saúde pública estadual.
Apesar das críticas e da liminar, o Governo de Minas manteve a operação do CORE-MG, argumentando que o sistema atende a exigências do Ministério da Saúde para integração à Rede Nacional de Regulação. A Secretaria de Estado de Saúde defende que o uso de inteligência artificial e a priorização baseada em critérios clínicos representam um avanço significativo em relação ao modelo cronológico do SUS Fácil, prometendo maior eficiência e transparência a longo prazo. O secretário Bacheretti reafirmou esse compromisso durante a inauguração do PACE em Fabriciano.