segunda-feira, 6 de abril de 2026

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Transporte coletivo em Ipatinga retoma circulação após paralisação, mas greve permanece como ameaça

A manhã desta segunda-feira (6) foi marcada por tensão no transporte coletivo de Ipatinga. Funcionários da concessionária Saritur realizaram uma paralisação de alerta que interrompeu temporariamente a circulação de ônibus na cidade. O movimento, coordenado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Coronel Fabriciano (Sinttrocel), buscava pressionar a empresa para quitar uma série de débitos trabalhistas acumulados.

Os trabalhadores exigem o pagamento de salários que deveriam ter sido quitados no final de março. Além disso, reivindicam o repasse de férias referentes aos meses de março e abril, bem como a regularização das mensalidades dos planos de saúde e odontológico. O sindicato também aponta atrasos no recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Segundo a entidade, os planos de saúde correm risco de suspensão de atendimento caso os débitos não sejam quitados até o dia 6 de abril.

A mobilização concentrou-se na garagem da empresa, localizada no Distrito Industrial. Lá, os funcionários se reuniram para cobrar posicionamento da administração da Saritur. Após negociações, a empresa se comprometeu a efetuar parte dos pagamentos ainda nesta segunda-feira, com o restante sendo quitado até terça-feira (7). Com essa promessa, os trabalhadores decidiram suspender o ato e retomar as operações.

No entanto, o acordo é frágil. Representantes sindicais deixaram claro que a trégua é condicional. A categoria permanece em estado de alerta, pronta para deflagrar uma greve por tempo indeterminado a partir de quarta-feira (8) caso a empresa não honre seus compromissos.

O boletim informativo divulgado pelo Sinttrocel enfatiza que a situação ultrapassou o limite do tolerável. A entidade destaca que os problemas são numerosos e graves, tendo sido notificados à empresa e às prefeituras de Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo sem qualquer solução. O sindicato ressalta que essas irregularidades colocam em risco a integridade física e mental dos motoristas e cobradores, além de comprometer a segurança dos passageiros.

A paralisação matinal refletiu-se em diversos setores da cidade. O Hospital Márcio Cunha (HMC), administrado pela Fundação São Francisco Xavier (FSFX), foi um dos afetados. A instituição informou que a operação de alguns serviços foi impactada pela dificuldade de deslocamento de colaboradores. Setores como laboratório e recepções enfrentaram atrasos no atendimento. O hospital orientou pacientes a remarcarem seus compromissos por meio dos canais digitais sempre que possível.

O cenário em Ipatinga reflete um problema estrutural no setor de transporte coletivo. A concessionária acumula débitos com seus funcionários enquanto depende da operação desses profissionais para manter os serviços em funcionamento. A população da cidade, que depende diariamente dos ônibus para se deslocar, aguarda com apreensão o desfecho das negociações.

O prazo estabelecido pelo Sinttrocel é claro: 7 de abril é o último dia para que a Saritur efetue todos os pagamentos em atraso. Caso a empresa não cumpra o acordo, a convocação para greve total será mantida. Segundo a entidade, a responsabilidade por uma eventual paralisação prolongada será exclusiva da concessionária.