O apito final no Mineirão, na noite desta quinta-feira (5), foi o estopim para uma manifestação sonora e contundente da torcida do Cruzeiro. As vaias, que já ecoavam desde o gol da virada do Coritiba, se transformaram em um coro uníssono de protesto. Os principais alvos foram, sem dúvida, o técnico Tite e o lateral William, em uma noite que aprofundou o momento delicado do clube no início do Campeonato Brasileiro.
O que se viu em campo foi, acima de tudo, um time de duas faces. Inicialmente, o Cruzeiro iniciou a partida de forma avassaladora, pressionando o adversário e abrindo o placar aos 18 minutos com um belo gol de Matheus Pereira. Com isso, a torcida se inflamou, e o cenário parecia promissor. Contudo, a alegria durou pouco. Nos acréscimos do primeiro tempo, Lavega aproveitou uma das raras chances do Coritiba e empatou o jogo, lançando, assim, um balde de água fria na equipe e nas arquibancadas.
A virada e a fúria nas arquibancadas
O segundo tempo, por outro lado, inverteu os papéis. O Coritiba voltou melhor e, em um contra-ataque rápido aos sete minutos, Breno Lopes marcou o gol que selou a virada. A partir daí, o nervosismo tomou conta do time celeste. A equipe, embora tenha tentado uma pressão final desorganizada, não conseguiu furar a defesa paranaense. Como resultado, a cada minuto, a paciência do torcedor diminuía, e os gritos de “Adeus, Tite” e xingamentos se tornaram a trilha sonora da derrota.
Tite assume a responsabilidade
Na entrevista coletiva, Tite assumiu a responsabilidade pelo resultado negativo. O treinador, visivelmente abatido, fez questão de validar a reação da torcida. “Respeito o torcedor. Tenho comigo o sentimento do torcedor, da busca pelo resultado. Ele é o objetivo maior do clube”, afirmou. Além disso, quando questionado sobre sua parcela de culpa, foi direto: “A responsabilidade é grande, a do técnico é a maior de todas. A culpa maior é do técnico, sim”.
Futuro incerto e pressão máxima
Esta foi, portanto, a quinta derrota de Tite em oito jogos no comando do Cruzeiro, um aproveitamento de apenas 37,5%. O resultado mantém o time na lanterna do Brasileirão, ainda sem somar pontos. A pressão agora é imensa para o clássico contra o América-MG, no próximo domingo, onde uma nova falha pode, enfim, tornar a situação do treinador insustentável.