A confirmação de um caso de raiva em um morcego no bairro Veneza, em Ipatinga, acendeu um alerta importante para a saúde pública na região do Vale do Aço. O animal foi encontrado e capturado pela médica veterinária Nívia Maria Batista Dias, que percebeu o comportamento atípico do mamífero voador. Esse caso foi noticiado aqui no Portal Educadora. Clique aqui e relembre.
Este incidente reforça a necessidade de vigilância constante e vacinação de animais domésticos, especialmente considerando que casos semelhantes já foram registrados recentemente na cidade vizinha de Timóteo.
Como tudo começou: o encontro na rua
Em relato enviado ao Portal Educadora, Nívia contou que passava pela rua quando avistou o animal próximo ao portão de uma garagem. Ela notou imediatamente que o comportamento do morcego era anormal. “Pelos movimentos, pelos comportamentos desse morcego, eu notei que ele estava com atitude muito suspeita, então eu não poderia deixar esse animal ali”, relatou a profissional. O animal não conseguia voar e apenas se arrastava pelo chão, um sinal clássico de infecção pelo vírus da raiva.
Diante da situação, Nívia decidiu agir. Ela pegou uma caixa para realizar a captura, mas o morcego conseguiu entrar para dentro do prédio vizinho. A veterinária pediu acesso aos moradores do edifício para continuar a operação. “Eu precisei até pedir o acesso a algum dos moradores do prédio ao lado, porque ele já não estava mais pelo lado da rua, ele foi batendo as asas ali, foi entrando para o prédio”, descreveu.
Protocolo de segurança e encaminhamento
A captura foi realizada seguindo rigorosamente os protocolos de segurança. Nívia não teve contato direto com o animal. “Com conhecimento aí pela parte da minha profissão, eu fiz todo o protocolo correto, não fiquei em contato com esse animal, eu apenas deixei a caixa próxima a ele, porque ele também não conseguia voar, ele só arrastava”, explicou. O morcego entrou na caixa por conta própria, que foi então lacrada.
Com a ajuda de uma colega veterinária, Nívia encaminhou o animal para o Centro de Controle de Zoonoses de Ipatinga. Em nota enviada ao Portal Educadora, a Secretaria Municipal de Saúde de Ipatinga, confirmou via exames laboratoriais a suspeita: o morcego testou positivo para raiva. A doença é grave e possui uma taxa de letalidade próxima a 100% quando não tratada a tempo em humanos.
Contexto regional: casos em Timóteo
O caso em Ipatinga não é isolado. Nívia alertou que já havia um caso confirmado de raiva em morcegos em Timóteo. “Mas é importante lembrar que a gente já teve dois casos confirmatórios em Timóteo, agora esse aqui em Ipatinga, então é muito importante, é de extrema importância que toda a população, quem tem um animalzinho de estimação, cão ou gato, levar até a zoonose para poder fazer o protocolo vacinal”, afirmou a veterinária. Esse caso também foi notícia no Portal Educadora. Clique aqui e relembre.
A situação reforça a necessidade de vigilância constante na região. A incerteza sobre quanto tempo o morcego permaneceu na rua antes de ser capturado também preocupa. “No momento que eu avistei esse animal, não foi possível saber se outro animal chegou perto, chegou próximo, ou se outra pessoa chegou próximo, porque a gente realmente não sabia desse tempo, nesse momento, que esse animal caiu ali na rua, de onde que ele veio, a gente não tem essas informações”, alertou Nívia.
Recomendações para a população
A prevenção é a melhor estratégia contra a raiva. Nívia enfatizou a importância da vacinação de cães e gatos. “A vacina é gratuita e é a melhor forma de prevenção contra doença”, destacou. A profissional também orientou a população a reconhecer os sinais de alerta em animais suspeitos.
Segundo Nívia, animais com comportamentos suspeitos, hábitos diurnos (no caso de morcegos) ou que estejam caídos no chão se debatendo devem ser evitados. “Não aproxime de animais com atitudes suspeitas, com comportamentos suspeitos, com hábitos diurnos, no caso do morcego, com animais que ficam se debatendo, que tá caído no chão, evitar esse contato tanto de criança, de adulto ou de outro animal”, recomendou.
Caso alguém encontre um animal com essas características, a orientação é clara: acionar imediatamente o serviço de zoonoses. “E caso você encontre, né, algum animal do tipo, né, com essas características aí de comportamento, liga para a zoonose, aciona, mantendo sempre a vigilância, né, não deixando que você aproxime desse animal”, orientou a veterinária.
O papel dos veterinários na Saúde pública
Nívia também ressaltou a importância dos profissionais veterinários na proteção da saúde pública. “Parabenizar também a todos os médicos veterinários, que além de atuar aí na saúde dos animais, nós atuamos também aí na saúde humana. Então, é nossa preocupação, né, de levar o melhor para a população, né, a gente cuida dos animais e a gente cuida da população também”, afirmou. Sua ação ao capturar e encaminhar o morcego exemplifica essa responsabilidade dupla que os veterinários exercem na sociedade.