A Câmara Municipal de Coronel Fabriciano realizou nesta quinta-feira (23), uma audiência pública para debater a qualidade dos serviços prestados pelo Hospital Dr. José Maria de Morais e a transição para a nova gestora, a Santa Casa de Curitiba. A iniciativa foi proposta pelo vereador Zezinho Sinttrocel, diante das frequentes reclamações de usuários sobre o atendimento na unidade.
O evento reuniu representantes do Poder Executivo, vereadores, profissionais da saúde, membros do Conselho Municipal de Saúde, do Ministério Público, da Defensoria Pública e moradores do município. A audiência aconteceu dias após o prefeito Sadi Lucca anunciar, em coletiva de imprensa, que a gestão do hospital e da UPA seria transferida para a Santa Casa por contrato emergencial de 12 meses, com repasse mensal de R$ 5,3 milhões.

Vereador cobra plano de trabalho e data de início
Autor da audiência pública, o vereador Zezinho Sinttrocel explicou que o objetivo foi dar transparência à população e garantir segurança sobre o futuro da saúde pública municipal. Ao final do evento, ele apresentou requerimento solicitando o plano de trabalho imediato da nova gestora, a data exata de início das atividades e um levantamento real da situação do hospital — incluindo o número de pacientes aguardando cirurgias eletivas e os que estão internados aguardando procedimentos.
“Nós solicitamos essas informações para que, quando a mantenedora assumir de vez, a gente tenha esse comparativo e possa cobrar”, afirmou o vereador. Sinttrocel também revelou que o processo licitatório foi feito por dispensa de licitação e que a Câmara não foi informada. “O contrato com a empresa RCS encerrou no dia 29 de maio e o novo processo foi aberto no dia 28, vinte e quatro horas antes. A gente vê uma falta de planejamento”, disse.
Questionado se os vereadores participaram da escolha da nova gestora, Zezinhofoi direto: “Não. Esse é um ato unilateral do Executivo, que é competência do Executivo a contratação. Mas o processo não foi informado à Câmara Municipal.”
População cobra CPI e transparência
A audiência também abriu espaço para a fala da população. O morador Neuberson, ouvido pela Rede Educadora, criticou a ausência do prefeito no evento — representado pelo secretário de Governo — e questionou o que vai acontecer com os servidores durante a transição. “Tenho a dizer que primeiramente é uma falta de respeito do prefeito não ter comparecido, nem do vice”, afirmou.
Sobre a nova gestora, Neuberson disse que prefere aguardar para ver resultados concretos. “Eu sou daquele que quer ver pra crer. A gente tá sempre esperando há anos nessa cidade, desde 2010, do primeiro escândalo com esse hospital.” Ele cobrou a abertura de uma CPI para investigar os problemas crônicos da unidade. “Vamo dar nome aos bois. A gente só fica lutando em sintoma. Onde realmente está o gargalo que tá sempre dando problema nesse hospital?”
Executivo defende escolha da Santa Casa
O secretário de Governo de Coronel Fabriciano, Marlon Dalta, representou o Executivo na audiência e defendeu a escolha da Santa Casa de Curitiba. Segundo ele, a instituição — com quase 200 anos de história — foi selecionada após visita técnica e avaliação das entregas feitas em outros municípios atendidos pela entidade. “A gente tem a expectativa de grandes entregas”, afirmou.
Dalta garantiu que o hospital não vai fechar e que o processo foi conduzido dentro da legalidade. “Nós não temos dúvida de que foi uma escolha assertiva e que, tão logo, as entregas para a população que tanto precisa serão atendidas. Foi uma construção do Executivo, dentro da lei”, disse o secretário.