quarta-feira, 5 de agosto de 2026

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Cleitinho perde o jogo: hesitação tira favoritismo e fortalece adversários em MG

Portal Educadora

Publicado há 7 horas

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Hesitação de Cleitinho gera desgaste no Republicanos e muda cenário da disputa pelo Governo de Minas nas eleições de 2026. Foto gerada por IA

A corrida pelo Governo de Minas Gerais ganhou um novo e inesperado capítulo nesta terça-feira (4). Em uma reviravolta política, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) voltou atrás em sua decisão de abandonar a disputa pelo Palácio Tiradentes e fez um apelo público à cúpula de seu partido para que sua candidatura seja mantida.

A atitude gerou desconforto e evidenciou um desgaste entre o parlamentar e a direção nacional da sigla.

O cenário de incerteza havia parecido chegar ao fim na segunda-feira (3), quando Cleitinho, em vídeo gravado ao lado do presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), e do presidente estadual da legenda, Euclydes Pettersen, anunciou formalmente sua desistência.

Contudo, menos de 24 horas depois, durante a convenção nacional do partido em Brasília, o senador mudou de postura.

Em um discurso direcionado ao presidente da legenda, Cleitinho justificou a mudança de ideia com base em apelos familiares e reafirmou seu desejo de disputar o Executivo mineiro. “Eu quero ser candidato a governador e eu peço aqui humildemente ao presidente que me dê essa vaga. Eu não vou decepcionar o partido”, declarou o senador.

Mudança de postura gera reação no Republicanos

A mudança de posição não foi bem recebida pela cúpula do Republicanos. A resposta de Marcos Pereira foi imediata e indicou impaciência com a hesitação do senador. O dirigente destacou que a sigla havia oferecido “todas as oportunidades” e estabelecido diversos prazos para que uma decisão definitiva fosse tomada. “Não podemos brincar com a vida de milhões de mineiros”, enfatizou Marcos Pereira.

Especialista aponta erro de timing político

Para o especialista em marketing político e comunicação governamental Danilo Emerich, o comportamento recente do senador destoa de sua trajetória. “A minha leitura é que o comportamento do senador Cleitinho contrasta totalmente com o padrão dele até então. Antes, o Cleitinho sempre foi uma pessoa muito assertiva, enérgica, e para essa pré-campanha, ele adiou várias vezes o anúncio da pré-candidatura”, analisa.

Danilo Emerich, especialista em marketing político e comunicação governamental

Emerich avalia que a hesitação gerou um desgaste desnecessário com o partido. “A meu ver, ele esticou demais a corda com os dirigentes partidários, que são quem tomam a definição, que protocolam a candidatura”, afirma.

O especialista também considera que decisões tomadas de última hora podem prejudicar uma campanha, já que é necessário tempo para planejamento, montagem de equipe e construção de alianças. “Tempo é o principal ativo na política, e Cleitinho, de fato, perdeu o tempo certo”, afirma.

Segundo Emerich, a demora nas definições também prejudicou o cenário eleitoral em Minas Gerais. Ele cita a demora nas decisões envolvendo as candidaturas de Rodrigo Pacheco e, agora, de Cleitinho.

Indefinição fortalece adversários

O impasse tem reflexos diretos na disputa pelo Governo de Minas. De acordo com Danilo Emerich, sem Cleitinho na disputa, não há mais um favorito consolidado para o governo estadual, considerando as pesquisas eleitorais. “Os adversários comemoram, pois amplia as chances deles de irem para o segundo turno”, observa.

Na avaliação do especialista, a indefinição fortalece principalmente Mateus Simões e Marcelo Aro, apontados por ele como os principais nomes do campo da direita até o momento.

Apesar do desgaste e da provável ausência como cabeça de chapa, Cleitinho ainda mantém capital político. “Cleitinho ainda é um cabo eleitoral poderoso e ainda pode fazer pender a balança, dependendo de quem ele for apoiar”, pontua Emerich.

O cenário permanece indefinido e, segundo o especialista, o resultado dependerá das alianças que serão construídas até o prazo final para o registro das candidaturas. “Não dá pra definir um favorito mais em Minas sem Cleitinho no jogo, pois dependerá das alianças que serão construídas e anunciadas até o prazo final do registro das candidaturas, que é dia 15 de agosto”, conclui Danilo Emerich.

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