quinta-feira, 2 de julho de 2026

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Conar recomenda suspensão de publicidade de apostas na Cazé TV durante a Copa; especialista debate limites da publicidade e isonomia nas regras

Portal Educadora

Publicado há 6 horas

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Especialista analisa a decisão do Conar de suspender publicidade de apostas na Cazé TV durante a Copa do Mundo 2026

Um dos assuntos mais comentados dos últimos dias no mundo da comunicação e do esporte é a decisão do Conar — Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária — de recomendar a suspensão de algumas ações publicitárias de casas de apostas durante a transmissão da Copa do Mundo pela Cazé TV.

Antes de qualquer análise, vale entender o que é o Conar: trata-se de um órgão que não pertence ao governo, mas sim de uma entidade criada pelo próprio mercado publicitário para estabelecer regras éticas e analisar campanhas que possam induzir o consumidor ao erro ou ultrapassar os limites da publicidade responsável.

Como professor de pós-graduação em Marketing, considero a existência do Conar extremamente importante. A publicidade tem um poder enorme de influência — e quando falamos de apostas esportivas, essa responsabilidade precisa ser ainda maior. Uma coisa é uma empresa anunciar sua marca. Outra, completamente diferente, é transformar narradores e comentaristas em incentivadores de apostas durante um jogo, apresentando odds como se fossem uma oportunidade imperdível. Se houver exagero, é correto que isso seja analisado.

Wallace Prudêncio é professor de pós-graduação em Marketing

O outro lado da história

Existe, porém, um outro lado que também merece reflexão. A Cazé TV e a LiveMode fizeram um investimento gigantesco para oferecer gratuitamente pela internet todos os jogos da Copa do Mundo — algo que mudou a forma como milhões de brasileiros e pessoas do mundo todo acompanham o futebol. Um projeto dessa dimensão precisa de patrocinadores, e não há nada de errado em um veículo de comunicação buscar receitas para manter sua operação. Sempre foi assim na televisão, no rádio, nos jornais e agora também no ambiente digital.

O problema nunca foi a existência de publicidade de casas de apostas. O problema é quando essa publicidade ultrapassa a linha da informação e passa a estimular diretamente o comportamento do consumidor.

Dois pesos e duas medidas?

E é justamente aqui que surge a discussão mais importante: será que esse mesmo entendimento será aplicado a todos os veículos de comunicação? Se uma emissora de televisão aberta, um canal esportivo ou qualquer outra plataforma utilizar formatos semelhantes, veremos a mesma atuação do Conar? Ou teremos dois pesos e duas medidas?

A credibilidade da autorregulação depende exatamente da isonomia. A regra precisa valer para todo mundo — não importa se é para uma empresa tradicional, uma emissora de televisão ou uma plataforma digital. Se houver abuso, que ele seja corrigido. Mas o critério precisa ser exatamente o mesmo para todos.

No fim das contas, essa discussão vai muito além da Cazé TV. Ela fala sobre responsabilidade na publicidade, proteção ao consumidor e igualdade na aplicação das regras. E esse é o verdadeiro debate que o Brasil precisa fazer.

Por Wallace Prudêncio
Professor de pós-graduação em Marketing

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