quarta-feira, 27 de maio de 2026

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Defesa de influenciadora investigada na Operação Sanitas critica ação da PF e diz que caso tem “caráter midiático”

Portal Educadora

Atualizado há 21 horas

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Defesa de influenciadora investigada na Operação Sanitas critica medidas da PF e questiona proibição das redes sociais

Em um vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (26), o advogado Rodrigo Manhães, que assumiu o caso da influenciadora investigada na Operação Sanitas, faz críticas duras aos procedimentos adotados pela Polícia Federal. Segundo ele, a investigação está apenas começando, não há provas contra sua cliente e as medidas impostas pela Justiça prejudicam economicamente uma mulher que vive de redes sociais.

Manhães questiona especialmente a proibição de usar redes sociais determinada pela Justiça. Para a influenciadora, essa medida significa perder sua fonte de renda. O advogado também aponta que a investigação começou com uma denúncia anônima e que tudo isso tem mais a ver com repercussão na mídia do que com processos legais de verdade.

“Não existe processo, apenas investigação”

O advogado é bem claro sobre a situação de sua cliente. “Assumimos a defesa dela e na verdade não existe processo. O que existe única e exclusivamente é uma investigação policial que ainda está no início, não tem uma definição, não tem estabelecimento de provas, não tem nenhum elemento de fato contra ela”, afirma Manhães.

Para ele, essa diferença é importante. Uma investigação é apenas o começo. Não significa que a pessoa cometeu crime. Por isso, as medidas tão graves aplicadas agora parecem injustas. “Ela tem duas crianças, uma de dois anos, outra de quatro anos, que estão sofrendo as consequências de algo que não está provado”, diz o advogado.

Redes sociais bloqueadas = sem renda

O ponto mais sensível para a defesa é a proibição de usar redes sociais. Não é apenas uma restrição legal. Para a influenciadora, significa que ela não consegue trabalhar e não tem como sustentar a família.

“A gente tem uma pessoa que é responsável pelo sustento da casa, uma pessoa que utiliza as redes sociais e tudo que ela adquiriu a vida inteira é proveniente de redes sociais”, explica Manhães. Ele continua: “tudo que ela trabalhou provém disso, e não tem nada a ver com supostas condutas que estão ainda sendo investigadas”.

O advogado questiona por que a Polícia Federal acredita que uma influenciadora oferece risco de fuga ou de prejudicar a investigação. “Como que a Polícia Federal vai achar que o processo dela corre risco por conta de alguém que trabalha com rede social?”, pergunta Manhães. Para ele, a medida não faz sentido legal.

Ela usa medicamento com receita médica

Um detalhe importante que Manhães menciona é que sua cliente usa medicamento para emagrecimento de forma legal. “É muito interessante o fato que inclusive está aprovado no inquérito, ela faz tratamento de monjaro desde 2024 e tratamento com médico, aquisição com receita médica”, afirma o advogado.

Isso levanta uma pergunta importante: qual é a diferença entre alguém que usa medicamento prescrito por um médico e alguém que vende medicamentos ilegais? A Operação Sanitas focou em combater a venda de medicamentos contrabandeados do Paraguai, sem registro na Anvisa.

Se a influenciadora usa o medicamento legalmente, por que estaria envolvida em venda ilegal? Esse é o argumento que Manhães usa para defender sua cliente.

“Isso é mais mídia do que justiça”

O advogado faz uma crítica forte: a operação ganhou muita repercussão na mídia, e isso pode estar influenciando as decisões judiciais. “Sinceramente eu posso te afirmar e isso com base em toda a experiência profissional que eu carrego, isso tem um caráter muito mais midiático do que realmente processual”, diz Manhães.

Ele continua: “Não existe um elemento concreto, plausível para gerar algo com consequências tão sérias”. Para o advogado, há uma “apelação midiática que acaba, infelizmente, influenciando naquilo que não poderia ser influenciado, que é o processo penal”.

Essa crítica reflete uma preocupação comum entre advogados: quando uma operação policial ganha muito destaque na mídia, as decisões judiciais podem ser influenciadas pela pressão pública, em vez de serem baseadas apenas em provas e na lei.

O que foi a Operação Sanitas?

A Operação Sanitas começou em março de 2026 quando a Polícia Federal recebeu denúncias anônimas sobre venda ilegal de medicamentos para emagrecimento no Vale do Aço, em Minas Gerais. Esses medicamentos são conhecidos como “canetas emagrecedoras” e são muito populares entre pessoas que querem perder peso rápido.

A Polícia descobriu que um grupo criminoso estava trazendo esses medicamentos ilegalmente do Paraguai e vendendo pela internet, especialmente através de redes sociais. Os medicamentos não tinham registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o que significa que não passaram por nenhum controle de qualidade. A polícia apreendeu medicamentos como tirzepatida e semaglutida, que são substâncias controladas.

Durante a operação, a polícia cumpriu quatro mandados de busca em cidades da região. Duas pessoas foram presas temporariamente. A influenciadora e seu marido receberam medidas cautelares, incluindo a proibição de usar redes sociais. O marido foi solto após dez dias de prisão, o que levanta dúvidas sobre a solidez das acusações. Agora, a defesa questiona se as medidas contra a influenciadora têm fundamento legal real ou se são apenas consequência da repercussão do caso na mídia.

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