O Dia do Mototaxista, celebrado nesta quarta-feira (24), chama a atenção para a rotina de profissionais que fazem da motocicleta uma ferramenta de trabalho e fonte de renda em Ipatinga e em todo o Vale do Aço. Entre corridas, entregas e o trânsito intenso das cidades, a categoria enfrenta desafios ligados à segurança, aos custos da atividade e às mudanças provocadas pelos aplicativos.
Há cerca de dez anos trabalhando sobre duas rodas, o mototaxista Erickson de Lima afirma que a profissão vai além do transporte de passageiros. Na rotina, ele também realiza entregas de refeições, medicamentos e produtos de lojas.
Segundo Erickson, o expediente começa por volta das 8h e pode render entre 20 e 30 corridas por dia. Ele explicou que os valores cobrados no ponto onde trabalha seguem uma tabela atualizada a partir de critérios como distância e consumo de combustível.
Aplicativos e redução do movimento
Para o trabalhador, a chegada dos aplicativos alterou o movimento dos mototaxistas que atuam em pontos tradicionais. Erickson afirma que optou por não trabalhar por plataformas, pois considera que o retorno financeiro pode não compensar depois dos gastos com a atividade.
“No fim do dia a gente roda muito e ganha pouco. Se for pôr na ponta da caneta, acaba nem sendo tão justo o valor que a gente ganha”, relatou. Ele estima que um ponto que antes reunia cerca de 40 motociclistas hoje tenha menos de dez profissionais.
A percepção sobre o impacto dos aplicativos é um relato individual do entrevistado e não representa, necessariamente, os dados de toda a categoria no município.

Segurança no trânsito e prejuízo após acidentes
Outro desafio citado pelo mototaxista é a segurança no trânsito. Erickson contou que sofreu acidentes durante o trabalho e disse que as situações provocaram prejuízo financeiro e consequências físicas, além de interromperem temporariamente sua fonte de renda.
Na avaliação dele, o uso do telefone celular por condutores é um fator que exige atenção. O profissional também defendeu responsabilidade de todos os usuários das vias, incluindo motociclistas, motoristas, passageiros e pedestres.
“Ali atrás, debaixo daquele capacete, tem um pai de família”, afirmou Erickson, ao pedir mais respeito no trânsito com quem trabalha sobre duas rodas.
Corridas, entregas e situações do dia a dia
Além dos riscos nas ruas, a atividade inclui situações que ocorrem no contato direto com os passageiros. Erickson relatou já ter chegado ao destino e recebido a informação de que o cliente não tinha dinheiro para pagar. Por outro lado, disse que também já deixou de cobrar uma corrida depois de conhecer a dificuldade enfrentada por um passageiro.
Para ele, a escolha pela profissão está ligada à busca por uma renda maior. “É mais por necessidade mesmo”, afirmou. Entre corridas e entregas, os mototaxistas seguem prestando um serviço usado diariamente por moradores de Ipatinga e outras cidades do Vale do Aço.