Motoristas devem ficar atentos a e-mails e mensagens que simulam comunicados sobre débitos do chamado Pedágio Digital ou do sistema Free Flow. A fraude usa ameaças de multa, pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e restrições no veículo para pressionar a vítima a clicar em um botão e realizar um pagamento.
Um exemplo recebido pela reportagem apresenta a suposta identificação de uma passagem pendente, informa uma multa de R$ 195,23 e menciona cinco pontos na CNH. A mensagem também oferece um botão para “consultar” a placa do veículo. Esses elementos são usados para criar sensação de urgência e levar o motorista a uma página falsa.
O Free Flow é o sistema de cobrança eletrônica de pedágio sem praças físicas e sem cancelas. A identificação do veículo é feita por câmeras, sensores ou pela tag instalada no automóvel. Depois da passagem, a tarifa deve ser consultada e quitada nos canais oficiais da concessionária responsável pelo trecho.
Como o golpe funciona
Os criminosos criam sites que imitam plataformas de pagamento e, em alguns casos, utilizam dados reais de veículos para tornar a cobrança mais convincente. O motorista informa a placa e recebe uma suposta pendência, geralmente acompanhada de uma opção de pagamento por Pix.
Também foram identificados anúncios patrocinados, links distribuídos na internet e mensagens enviadas por e-mail, SMS ou aplicativos. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) alerta que não existe um site único para consultar ou pagar todas as tarifas do Free Flow.
Um levantamento citado em reportagem sobre o tema identificou 480 sites falsos relacionados a esse tipo de fraude desde o início de 2026. Outra publicação informou que mais de 2,5 mil endereços falsos associados a uma plataforma de pagamento foram derrubados. Os números mostram a dimensão do problema e a necessidade de conferir o endereço acessado antes de fornecer qualquer informação.
Onde consultar uma passagem do Free Flow
A orientação é acessar diretamente o site da concessionária responsável pela rodovia onde o veículo passou. O endereço deve ser digitado no navegador, sem clicar em links recebidos por e-mail, redes sociais ou aplicativos de mensagens.
De acordo com a ANTT, a tarifa pode ser consultada e paga dentro do prazo estabelecido diretamente com a concessionária responsável. O aplicativo CNH do Brasil também passou a reunir informações sobre passagens de Free Flow integradas às bases nacionais e pode direcionar o motorista ao canal adequado.
Antes de confirmar qualquer pagamento, o motorista deve conferir o domínio do site, o nome do destinatário e os dados apresentados na tela do Pix. Erros de português, endereços incomuns, linguagem genérica, pressão para pagar imediatamente e ausência de informações claras sobre a concessionária são sinais de alerta.
O que fazer ao receber uma mensagem suspeita
O motorista não deve clicar no link, informar placa, CPF, dados bancários ou realizar o pagamento. A mensagem pode ser apagada e, se necessário, encaminhada para denúncia às autoridades e aos órgãos de defesa do consumidor.
Quem já informou dados ou fez um pagamento deve procurar imediatamente o banco para tentar bloquear ou contestar a transação, registrar um boletim de ocorrência e guardar e-mails, telas, comprovantes, endereços eletrônicos e demais evidências.
Em caso de dúvida sobre uma passagem, a recomendação é consultar a concessionária responsável pela rodovia ou os canais oficiais da ANTT. A pressa provocada por uma suposta multa não deve substituir a verificação da informação.