A rede pública de saúde de Ipatinga enfrenta uma crise grave. Médicos que prestam serviços às unidades básicas de saúde, à UPA e ao Hospital Municipal Eliane Martins ameaçam paralisar os atendimentos por tempo indeterminado caso os pagamentos referentes aos meses de abril e maio não sejam regularizados. O prazo dado pela categoria é de 72 horas.
Em comunicado divulgado nas redes sociais, os profissionais afirmam estar comprometidos com a saúde da população, mas declaram não ter condições de continuar trabalhando sem receber pelos serviços prestados. “Nosso trabalho merece valor, respeito e dignidade”, diz o texto.
Conselho de Saúde denuncia colapso na rede municipal
A vice-presidente do Conselho Municipal de Saúde de Ipatinga, Rosângela, divulgou um vídeo nesta quarta-feira (22) denunciando o agravamento da situação. Segundo ela, novas denúncias recebidas pelo Conselho apontam que o tomógrafo do Hospital Municipal está parado por falta de pagamento, laboratórios interromperam a realização de exames por ausência de repasses e serviços como o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) e o Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) também correm risco de paralisação.
A conselheira questionou a destinação dos recursos recebidos pelo município. Segundo ela, Ipatinga recebeu mais de R$ 700 milhões destinados à saúde e a população não pode ficar sem os serviços essenciais. Rosângela cobrou ainda maior fiscalização por parte da Câmara Municipal e criticou o contingenciamento de 30% anunciado pela Prefeitura.
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Um post compartilhado por Rosângela do Conselho (@_rosangelaconselheiradesaude)
Prefeitura reconhece atrasos e anuncia pagamento parcial
Em nota enviada à imprensa, a Prefeitura de Ipatinga reconheceu a existência de pendências financeiras e informou que, na quarta-feira (22), efetuou o pagamento de R$ 1,1 milhão aos médicos contratados como pessoas jurídicas.
A administração municipal atribuiu parte das dificuldades ao custeio, com recursos próprios, de procedimentos de média e alta complexidade que deveriam ser financiados pelo Governo Federal via SUS. A Prefeitura informou ter solicitado ao Ministério da Saúde uma indenização de R$ 14,49 milhões e a recomposição anual de R$ 7,5 milhões no teto de repasses — pedidos que já teriam sido aprovados pela Comissão Intergestores Bipartite de Minas Gerais e aguardam liberação federal.
O Executivo afirmou ainda que não havia sido oficialmente comunicado sobre uma eventual paralisação e que segue em diálogo com os prestadores para garantir a continuidade do atendimento à população.