quarta-feira, 6 de maio de 2026

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Usiminas reforça estratégia de eficiência diante de cenário global desafiador

Portal Educadora

Publicado há 1 hora

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Presidente da Usiminas, Marcelo Chara, apresenta estratégia de investimentos e eficiência operacional para 2026. Confira os detalhes da entrevista coletiva

Com o primeiro trimestre de 2026 apresentando resultados positivos, a Usiminas segue em ritmo de investimento estrutural, mas mantém cautela diante da dinâmica global de comércio. Em entrevista realizada nesta quarta-feira (6), durante encontro com a imprensa, o presidente da companhia, Marcelo Chara, apresentou uma estratégia que equilibra oportunidades e desafios, combinando investimentos em modernização, otimização operacional e dependência das medidas de defesa comercial adotadas pelo governo.

Com um tom de “otimismo moderado”, Chara reconheceu tanto as perspectivas positivas quanto as limitações que a Usiminas enfrenta. O executivo abordou temas que vão desde a implementação de projetos de investimento estruturais até a necessidade de aumentar a eficiência operacional e controlar custos, mesmo que isso signifique manter o quadro de funcionários sob pressão.

Cenário global exige proteção da indústria brasileira

O presidente da Usiminas não poupou críticas à dinâmica do comércio internacional atual. Segundo Chara, as principais economias mundiais estão adotando medidas protecionistas cada vez mais robustas, e o Brasil precisa acompanhar essa tendência.

“Estados Unidos aplicou uma tarifa de 50%, não temos uma tarifa de 10,8%, não estamos permeáveis. Se instrumentou um sistema de cotas tarifas que não tem sido muito eficaz”, afirmou Chara, destacando que o Brasil está em desvantagem competitiva em relação a outras potências econômicas.

O executivo argentino ressaltou que a Europa também implementou medidas de proteção, colocando barreiras significativas ao ingresso de produtos de outras regiões. Para Chara, essa é uma tendência irreversível no mercado global.

“O mundo está se regionalizando mais, está saindo desta globalização, com o qual não há que fugir desta tendência, há que ter uma integração inteligente, mas que permita que o principal setor de criação de valor de toda sociedade, que é o setor industrial, sobreviva concorrendo de forma equilibrada”, explicou o presidente.

Governo avança, mas Usiminas não pode confiar apenas em defesas

Embora reconheça os avanços do governo brasileiro na implementação de medidas de defesa comercial, Chara deixou claro que a Usiminas não pode depender exclusivamente dessas ações. A empresa está desenvolvendo um plano ambicioso de investimentos e reestruturação interna para garantir sua competitividade independentemente das políticas governamentais.

O presidente enfatizou que as medidas de defesa devem ser dinâmicas e estar em constante evolução, pois os produtos subsidiados chegam ao Brasil através de diferentes rotas comerciais, especialmente via transshipment da China para países do sudeste asiático.

“Temos que estar atentos, por isso as medidas têm que ser dinâmicas, de constante evolução, e aí há que manter a pressão, o diálogo transparente, e reagir com velocidade, como o têm feito essas economias”, alertou Chara.

Marcelo Chara, presidente da Usiminas


Projetos estruturais em andamento

A Usiminas está investindo em projetos de grande envergadura que visam reduzir custos e aumentar a eficiência operacional. Um dos principais é o projeto de injeção de pó de carvão nos altos-fornos (PCI), que está em fase de conclusão.

“Agora estamos terminando o projeto de PCI, de injeção de pó de carbono nos auto-fornos. Isso significa reduzir simplesmente a carga do auto-forno e o coque importado. Até terminar os investimentos não temos suficiência, então isso é redução de custos, direta.

Além do PCI, a empresa está realizando intervenções importantes na coqueria e em outras áreas da produção. Esses projetos têm como objetivo não apenas reduzir a dependência de insumos importados, mas também otimizar toda a cadeia de suprimentos.

“Temos a intenção de mantê-los a full speed para poder incorporar isto à eficiência, à medida de custo, desempenho aumentado”, afirmou o presidente, indicando que os investimentos seguem em ritmo acelerado.

Eficiência operacional

Um dos pontos mais delicados da entrevista foi a questão do emprego. Chara foi direto ao responder sobre a perspectiva de contratações para 2026: não haverá aumento significativo no quadro de funcionários. Pelo contrário, a tendência é de redução.

“Não vamos empregar mais pessoal, pelo contrário, para produzir o mesmo vamos ter cada vez menos pessoal, porque estamos incorporando tecnologia, porque o mundo da competitividade passa por isso”, afirmou o presidente.

Chara explicou que a incorporação de tecnologia, a automação e a otimização de processos são imperativas para manter a competitividade no mercado global. A empresa está investindo em ferramentas de gestão, robôs e sistemas de medição e otimização para reduzir a necessidade de mão de obra.

“Aumentar o grau de especialização da mão de obra, reduzir os trabalhos que são administrativos de menor contudo de valor, aumentar o nível de educação e formação dos colaboradores, incorporar robôs, incorporar farramentas que simplifiquem o trabalho”, listou Chara as estratégias de modernização.

Contratações apenas para projetos temporários

Embora não haja perspectiva de crescimento do quadro permanente, Chara reconheceu que a Usiminas contratará pessoas para os projetos de investimento em andamento. No entanto, essas contratações são temporárias.

“Sim, precisamos contratar pessoas para os projetos de investimento que estamos desenvolvendo. Os projetos de investimento são temporários. Quando os projetos de investimento acabam, essa mão de obra fica disponível”, explicou o presidente.

Essa abordagem reflete a realidade de uma empresa que busca manter seus custos sob controle enquanto executa investimentos estratégicos. Uma vez concluídos os projetos, a mão de obra contratada será liberada.

Medidas de redução de custos em múltiplas frentes

Além dos investimentos em tecnologia e automação, a Usiminas está implementando medidas de redução de custos em várias áreas. A empresa está mudando o perfil de carga metálica dos fornos, utilizando maior quantidade de carga sólida e sucata, que são mais baratas.

“Estamos mudando o perfil de carga metálica dos fornos, estamos usando maior quantidade de carga sólida e sucata, que é mais barata na produção”, informou Chara. A empresa também está otimizando a logística, reduzindo a quantidade de fretes contratados, caminhões para movimentação e serviços auxiliares. Além disso, está fusionando postos de trabalho e consolidando operações que antes eram realizadas em locais diferentes.

“Estamos fundindo postos de trabalho. Antes tínhamos uma operação em um local, uma operação em outro, unimos as duas posições e reduzimos o pessoal, reduzimos os custos”, exemplificou o presidente.

Otimismo moderado

Apesar dos desafios, Chara mantém uma perspectiva positiva sobre o futuro, embora temperada pela prudência. Ele vê oportunidades no desenvolvimento de setores como o automotivo e acredita que as medidas de defesa comercial podem ajudar a reposicionar a indústria siderúrgica brasileira.

“Vemos setores nos quais, digamos, há uma perspectiva de desenvolvimento. Nisso tenho um otimismo moderado, digamos, porque o desenvolvimento de alguns setores em particular, como o setor automotivo e outros, nos permite ver, somado a medidas que o Ministério da Indústria e Comércio, o governo adotou de defesa comercial correta”, afirmou o presidente.

Chara ressaltou que a “prudência é fundamental” e que a “obsessão pelos custos, capital de giro é vital para ter uma situação financeira saudável, para enfrentar qualquer tipo de disrupção que possamos ter diante desses condicionamentos mundiais”.

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