O clima em Ipatinga, no Vale do Aço, dividiu-se entre a festa e a tensão durante as comemorações do aniversário de 62 anos de emancipação do município. A tradicional entrega do bolo de aniversário na manhã desta quarta-feira (29) reuniu centenas de pessoas no Parque Ipanema, onde a população cantou parabéns e recebeu o bolo no pote. No entanto, a festividade também foi palco de manifestações por parte dos servidores públicos municipais, que se encontram em greve e aproveitaram a ocasião para cobrar posicionamentos da administração municipal.
Prefeito destaca importância da celebração
O prefeito Gustavo Nunes ressaltou a importância de celebrar o aniversário de Ipatinga. Durante seu discurso, ele destacou as qualidades da cidade e de sua população.
“É um momento de muita alegria, é um momento muito importante para a cidade, é um momento de estarmos festejando mesmo o aniversário da cidade. Uma cidade muito rica, uma cidade próspera, uma cidade de um povo muito acolhedor, uma cidade muito boa, a cidade onde eu nasci, cresci, vivo, e hoje eu tenho a graça de Deus por ser prefeito aqui.”
Protestos marcam coletiva de imprensa
A coletiva de imprensa foi marcada por palavras de ordem entoadas por servidores em greve. Diante dos protestos, o prefeito criticou a paralisação dos servidores, classificando-a como um movimento com motivações políticas e influências nacionais.
Segundo Gustavo Nunes, a greve seria uma orientação de forças sindicais nacionais contra gestões que não compactuam com o governo federal.
Prefeito nega falta de diálogo
O prefeito rebateu as acusações de falta de diálogo com o sindicato. Nunes afirmou que houve conversas frequentes sobre as demandas dos servidores.
“O sindicato fala que nós não estamos conversando, que nós não estamos negociando, o que é uma mentira. Nós estamos conversando, sim, na semana passada, na semana retrasada, durante todo o mês.”
Gustavo Nunes apontou que os servidores solicitam um aumento de mais de 30% no Vale Alimentação. “Isso não tem condições”, afirmou o prefeito.
Nunes também mencionou que o movimento estaria ligado ao ano eleitoral e à disputa pela reeleição no próprio sindicato.
Servidores rejeitam proposta e continuam em greve
Os servidores em greve rechaçaram as declarações do prefeito e reafirmaram o caráter reivindicatório da paralisação. Moarlem Lande, diretor do sindicato que representa a categoria, explicou que a greve chegou ao seu terceiro dia.
Lande informou que a prefeitura apresentou uma contraproposta, mas os servidores rejeitaram em assembleia realizada em frente à prefeitura.
“Ontem foi apresentada uma contraproposta da prefeitura, só que os servidores em assembleia ontem, em frente à prefeitura, rejeitou a proposta e hoje a gente está dando continuidade à nossa greve. A nossa greve é passiva e para garantia de direitos.”
Sindicato nega motivações políticas
O diretor sindical negou qualquer viés político-partidário no movimento. Segundo Moarlem Lande, o objetivo das manifestações não é vaiar a administração, mas dar visibilidade às demandas da categoria.
“A gente está aqui para fazer a cobrança e para a comunidade entender o que está acontecendo dentro de Ipatinga. O motivo da mobilização não é vaiar a administração, mas sim cobrar posicionamento em relação aos servidores públicos.”

Lande também esclareceu que o sindicato é imparcial em relação à política. “A greve não tem nenhum envolvimento político, até mesmo porque o sindicato é imparcial em relação à política. Ao longo dos anos, foram construídas essas informações de que o sindicato tem um partido e tem um lado político. Na verdade, não. O sindicato está para fazer o trabalho e defender os trabalhadores e, no caso aqui, os servidores públicos”, concluiu.