A temporada de prestação de contas com o Leão está chegando ao fim. O prazo para a entrega da Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026, referente ao ano-base 2025, encerra-se impreterivelmente às 23h59min59s do dia 29 de maio. Com a expectativa da Receita Federal de receber milhões de declarações neste ano, muitos contribuintes ainda têm dúvidas sobre as regras, obrigatoriedades e, principalmente, sobre as consequências de deixar a tarefa para a última hora.
Para esclarecer os principais pontos e ajudar quem ainda não enviou o documento, o Portal Educadora conversou com o especialista contábil Samuel Kennedy. Ele detalhou quem está obrigado a declarar, o que deve constar no documento e como evitar a temida malha fina.
A obrigatoriedade: quem está na mira do Leão?
Uma das dúvidas mais comuns entre os brasileiros é se a declaração é uma exigência para todos. Segundo Samuel Kennedy, a resposta é não. A obrigatoriedade recai sobre grupos específicos, determinados por critérios de renda e patrimônio estabelecidos anualmente pela Receita Federal.
“Não é todo mundo que precisa fazer a declaração. Somente aquelas pessoas que receberam acima do limite anual definido pela Receita Federal do Brasil ou tiveram certos tipos de renda, como investimentos, venda de bens e alguns outros”, explica o especialista. Ele ressalta, no entanto, a importância da prevenção: “Sempre é bom a gente fazer uma consulta antes. Isso pode nos livrar de uma dor de cabeça no futuro”.

O raio-X financeiro: o que deve ser declarado
Para aqueles que se enquadram nos critérios de obrigatoriedade, a atenção aos detalhes é fundamental. A Receita Federal possui um vasto cruzamento de dados, o que exige precisão nas informações prestadas pelo contribuinte.
“Hoje tudo precisa ser declarado: o salário, o aluguel, investimentos, veículos, imóveis”, alerta Kennedy. O especialista destaca que a omissão de dados é o caminho mais rápido para problemas com o fisco. “Divergências e omissões são o principal motivo de cair na malha fina. Lembre-se: hoje, na era digital, a Receita sabe tudo sobre você”.
Estratégias legais
Um dos momentos mais aguardados pelos contribuintes é a verificação do saldo final: imposto a pagar ou a restituir. O que muitos não sabem é que a organização financeira ao longo do ano pode impactar diretamente esse resultado, de forma totalmente legal.
“Despesas médicas, despesas com educação, dependentes, previdência… tudo isso pode te ajudar a reduzir o valor a ser pago ou até mesmo aumentar o seu valor de restituição”, orienta Samuel Kennedy. A chave para aproveitar esses benefícios, segundo ele, é a disciplina. “Por isso, é sempre bom organizar e guardar todos os comprovantes, todos os seus gastos durante o ano, pedir nota fiscal. Tudo isso vai te ajudar no dia da declaração do Imposto de Renda”.
Vale lembrar que, enquanto as despesas com educação possuem um limite anual de dedução, os gastos médicos devidamente comprovados não têm teto para abatimento.
O perigo da última hora
Apesar dos alertas anuais, o hábito de deixar a declaração para os últimos dias do prazo ainda é comum. Essa prática, além de gerar estresse, traz riscos reais para o contribuinte.
“Infelizmente, muita gente deixa para declarar no último dia, na última semana, e isso acaba travando o sistema da Receita Federal. É muita gente acessando ao mesmo tempo, o que deixa o site e o aplicativo lentos, ou até mesmo fora do ar”, adverte o especialista contábil. “O resultado disso é estresse, risco de erro e até mesmo o risco de não conseguir declarar”.
E as consequências para quem perde o prazo de 29 de maio são severas e afetam diretamente o bolso. “A não declaração pode gerar uma multa mínima de cerca de R$ 166,00, podendo chegar a até 20% do imposto devido. Conforme o imposto que você deve, isso pode doer muito no bolso”, enfatiza Kennedy. Além da multa, o contribuinte pode ter o CPF irregular, o que impede a realização de diversas operações financeiras, como a obtenção de empréstimos e a emissão de passaporte.
A recomendação final do especialista é clara: “Sempre é bom antecipar. Nunca deixe para a última hora, nunca faça nada sem conferir todos os detalhes. E lembre-se: procure a ajuda de um profissional. Se arriscar sozinho pode te custar muito caro”.
Com o prazo se esgotando, a organização e a busca por orientação especializada são os melhores aliados do contribuinte para garantir uma prestação de contas tranquila e sem surpresas desagradáveis com a Receita Federal.