Rumores sobre a possível venda do Colégio Angélica voltaram a movimentar a população de Coronel Fabriciano nos últimos dias. O tradicional prédio, fechado há vários anos, passou a ser alvo de especulações após informações de que teria sido negociado com o Grupo Coelho Diniz. A situação gerou preocupação entre moradores, artistas, pesquisadores e defensores do patrimônio histórico da cidade.
A discussão ganhou força após o jornalista e pesquisador Léo Feragom receber informações sobre a possível venda do imóvel e iniciar uma apuração sobre o caso.
Diretor de cultura afirma que ainda não houve compra oficial
Segundo Feragom, o diretor de cultura e integrante do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural, Teco Teixeira, confirmou que os rumores chegaram até o setor cultural do município.
De acordo com o jornalista, Teixeira entrou em contato diretamente com André Diniz, um dos sócios do Grupo Coelho Diniz, para esclarecer a situação.
“A resposta foi clara: não houve ainda uma compra do Colégio Angélica pelo grupo”, relatou Feragom.
Apesar disso, a apuração revelou que existe, sim, interesse na aquisição da área, embora nenhuma negociação tenha sido oficialmente concretizada até o momento.
Imóvel já foi alvo de outras tentativas de compra
Ainda conforme a apuração, o Colégio Angélica já foi alvo de outras tentativas de compra ao longo dos anos, algumas delas acompanhadas pelo Ministério Público.
O imóvel, considerado um dos patrimônios históricos mais importantes de Coronel Fabriciano, possui proteção legal por meio de tombamento municipal.
Tombamento protege toda a estrutura do colégio
Um dos pontos destacados durante a apuração diz respeito ao alcance do tombamento do imóvel.
Segundo Amir de Melo, gestor do Museu Municipal e integrante do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural, a proteção não envolve apenas a fachada do prédio.
“Não apenas a fachada do Colégio Angélica é tombada, mas também o seu inteiro prédio”, explicou.
A informação é considerada fundamental para compreender os limites de qualquer possível negociação futura envolvendo o espaço.
Vereador teme perda de mais um patrimônio histórico
A repercussão do caso também chegou à Câmara Municipal. O vereador Zezinho Sinttrocel afirmou ter recebido denúncias sobre a possível venda e demonstrou preocupação com o futuro do prédio.
“Uma tristeza ver um patrimônio cultural da nossa cidade fechado. Chegou ao nosso conhecimento que o Colégio Angélica foi vendido e que, com essa venda, será derrubado o nosso patrimônio”, declarou.
O parlamentar afirmou ainda que conversou com o prefeito Sadi Lucca, que teria informado não existir, até o momento, qualquer tratativa formal envolvendo o Executivo Municipal. “Temos que proteger a história da nossa cidade”, afirmou o vereador ao relatar a conversa.
Histórico de perdas aumenta preocupação da população
A mobilização em torno do Colégio Angélica também acontece em meio ao histórico de perdas de patrimônios históricos em Coronel Fabriciano.
Durante a apuração, Feragom relembrou casos como a antiga Estação Ferroviária, demolida em 1982, e a Fazenda do Padre Rocha, demolida em 2024.
“São patrimônios que poderiam ser preservados e infelizmente vieram ao chão”, lamentou.
Manifestação em defesa do Colégio Angélica será realizada
Diante da preocupação com o futuro do imóvel, moradores e representantes da sociedade civil organizam uma manifestação pública em defesa do patrimônio histórico.
O empresário João Damasceno confirmou ao Portal Educadora que o ato será realizado no próximo sábado, dia 30 de maio, entre 10h e 12h, em frente ao Colégio Angélica. “Movimento é de toda comunidade, que quer preservar patrimônio histórico do Colégio Angélica. Lutar para não apagar essa história tão linda da primeira escola do Leste Mineiro”, afirmou.
Comunidade aguarda posicionamento oficial
Até o momento, não existe confirmação oficial sobre a concretização da venda do Colégio Angélica. Também não há anúncio formal sobre possíveis negociações em andamento.
“A gente espera realmente que haja uma participação da comunidade sobre aquela área, que é importante para a nossa cidade”, destacou Feragom.
Enquanto o futuro do imóvel segue indefinido, o Colégio Angélica continua sendo visto por muitos moradores como um símbolo histórico e afetivo de Coronel Fabriciano.